Existem 716 medicamentos em rutura de stock nas farmácias portuguesas, sendo que 46 destes fármacos (6%) não têm alternativa terapêutica.

Segundo avançou esta segunda-feira, o «Jornal de Notícias», estes números são adiantados pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), e dizem respeito a antipsicóticos, antiepiléticos, heparinas (anticoagulantes e antiplaquetários) dopaminométricos e remédios para a disfunção erétil.

Quando existe rutura de stock em medicamentos sem alternativa terapêutica recorre-se, por vezes, a importação momentânea de alguns lotes de outros fornecedores. O pedido é feito por uma farmácia, desde que seja atestado por um médico que o medicamento é imprescindível para um tratamento.

No entanto, «não é fácil mandar vir medicamentos. Seja para uma farmácia ou para um grossista, o processo de autorização de importação paralela é muito burocrático, leva muito tempo, exige muita papelada e tem de ser feito um a um. As farmácias não têm condições para andar à procura dos medicamentos pela Europa», disse Paulo Duarte, presidente da Associação Nacional de Farmácias, ao «JN».

Segundo a mesma fonte, muitas vezes os doentes não conseguem os medicamentos e são obrigados a voltar ao médico em busca de uma terapêutica alternativa, o que, por exemplo, no caso dos epiléticos, pode ser uma mudança «muito complicada».

Paulo Duarte reconhece que não sabe quais são os 43 medicamentos em falta, mas afirma com certezas que «seguramente a maioria» são remédios mais baratos que a indústria farmacêutica deixou de ter interesse em comercializar.

«Os preços chegaram a níveis tão baixos que o mercado tornou-se desinteressante», disse.