Uma casa está em risco de ruir a qualquer momento, em Cortes, concelho de Leiria, disse esta sexta-feira a proteção civil municipal, que esteve a ajudar a família a retirar os bens da habitação, onde moravam quatro pessoas.

«A casa está em risco de ruir devido ao deslizamento de terras que a suportavam», afirmou à agência Lusa o comandante municipal da proteção civil, Artur Figueiredo, referindo que a situação foi sinalizada na sexta-feira, dia em que a família - um casal e duas crianças - deixou a casa.

Também a via defronte à habitação, de três pisos, foi interditada à circulação por decisão da proteção civil, dado ter ficado danificada devido ao deslizamento de terras.

«A família está, neste momento, a viver noutra casa que arrendou», adiantou Artur Figueiredo.

Esta sexta-feira manhã, além da proteção civil, estiveram no local bombeiros, GNR, Câmara de Leiria, Junta da União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, populares, vizinhos e familiares, que ajudaram a retirar mobiliário e eletrodomésticos do interior da residência.

O proprietário da habitação, Fernando David, disse à agência Lusa que «os vidros já começaram a partir» e é «uma questão de meio dia ou um dia até a casa ruir».

«Já não consigo fechar a porta de entrada», declarou, adiantando que desde a semana passada a casa deslizou «seis a sete metros».

Segundo Fernando David, «a casa tem cinco anos, está bem construída e tem seguro contra tempestades e inundações».

«A seguradora fez uma peritagem e estamos à espera de uma solução que queremos rápida. Neste momento estamos a pagar duas casas, uma onde não podemos viver e outra que foi arrendada», acrescentou o proprietário.

Segundo informação da Câmara de Leiria disponibilizada ao Diário de Leiria, que avançou com a notícia, a habitação tem licença de construção com data de agosto de 2007, observando que o município implementou os «procedimentos legais de licenciamento para assegurar a segurança das edificações», pelo que é exigido sempre «os termos de responsabilidade aos autores dos projetos das especialidades, onde se incluem os projetos de engenharia de estruturas».

Por outro lado, a autarquia nota que o Regime Jurídico de Urbanização e Edificação «considera que os termos de responsabilidade dos projetistas na especialidade são garantia suficiente», situação que revoga «a análise prévia por parte dos municípios neste âmbito».

Para a Câmara, estão, assim, «todas as salvaguardas garantidas, uma vez que os projetistas estão abrangidos por seguros profissionais», manifestando «disponibilidade» para prestar apoio técnico na defesa dos direitos dos munícipes.