O Tribunal Judicial de Famalicão condenou esta sexta-feira a cinco anos de prisão, com pena suspensa, o alegado mandante dos crimes de rapto e extorsão de que foi vítima um empresário daquele concelho, em fevereiro de 2013.

A suspensão da pena fica sujeita à condição de o arguido pagar, no prazo de 4 anos, uma indemnização de 15 mil euros à vítima.

Para a suspensão da pena, o tribunal sublinhou a inserção social, familiar e profissional do arguido e a inexistência de antecedentes criminais.

O advogado do arguido, Artur da Silva Carvalho, admitiu que poderá recorrer da decisão, nomeadamente face ao «exagerado valor» da indemnização.

O processo tem ainda mais três arguidos, um dos quais esteve também envolvido no violento assalto ao Museu do Ouro de Viana do Castelo, em setembro de 2007, crime pelo qual foi condenado a 14 anos e meio de prisão.

Neste processo de Famalicão, o tribunal aplicou-lhe três anos de prisão efetiva.

Outro arguido, igualmente com antecedentes criminais, foi condenado a 4 anos e meio de prisão, também efetiva.

O último «apanhou» 2 anos e 7 meses, mas com pena suspensa, graças sobretudo face à sua «excelente» inserção social, profissional e familiar, testemunhada por uma «quantidade anormal» de pessoas, incluindo o pároco da sua freguesia.

«Até o padre ajudou», referiu a juíza presidente do coletivo, Fernanda Fernandes.

Os factos remontam a 16 de fevereiro, quando a vítima, de 35 anos e empresário do ramo automóvel e equipamentos de telecomunicações, foi «astuciosamente» atraída para um encontro em local predeterminado, com vista a tratar de um alegado assunto do seu interesse pessoal.

Quando ali compareceu, o empresário foi «prontamente» confrontado por três capangas com a necessidade de saldar uma alegada dívida de 75 mil euros a um ex-sócio, alegado mandante em todo este processo.

Face à sua negação da dívida e resistência, a vítima acabou por ser «brutalmente agredida», por entre ameaças extensivas a alguns seus familiares diretos, como mulher e filha.

O empresário foi forçado a conduzir a sua própria viatura automóvel até um outro local, sempre sob escolta de alguns dos autores, onde foi novamente agredido e posteriormente abandonado, «em estado de semiconsciência».

As agressões só acabaram quando a vítima disse que iria pagar.

O tribunal deu como provado que a vítima não devia dinheiro nenhum ao arguido mandante.

Os arguidos foram condenados pelos crimes de rapto, extorsão e coação, os dois últimos na forma tentada, reporta a Lusa.