O operário que foi eletrocutado esta quinta-feira, em Alfragide, foi transportado de helicóptero para o Porto por falta de vaga em Lisboa.

«As Unidades de Cuidados Intensivos de Queimados têm características muito específicas, com tempos de internamento muito longos, por vezes de largos meses. Neste momento, o [Centro Hospitalar de Lisboa Central] CHLC não tem disponibilidade para receber mais um doente», esclareceu ao TVI24.pt fonte oficial do CHLC.

O TVI24.pt tentou perceber desde quando há falta de vagas e se essa situação estaria relacionada com falta de meios, de recursos humanos, ou outra razão, mas o CHLC não respondeu. Explicou apenas, por e-mail, que as unidades de queimados «funcionam em rede dentro do Serviço Nacional de Saúde, para que todos os doentes possam receber o tratamento adequado o mais rapidamente possível, pelo que o doente foi encaminhado para outra unidade hospitalar».

Já o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Lisboa, responsável pelo socorro do doente em causa, adiantou ao TVI24.pt que a sua função é, perante uma situação assim, «contactar os hospitais que têm capacidade para receber uma vítima desta, porque nem todos estão capacitados». E aquele que tinha vaga, «mais perto», era o Hospital da Prelada, no Porto.

Ainda na capital, onde ocorreu o acidente, «a equipa de viatura médica do S. Francisco Xavier fez as manobras necessárias para estabilizar o doente» no local e ele não foi transportado para qualquer hospital em Lisboa. Foi diretamente para o heliporto de Carnaxide, e daí para o Porto, porque «era o hospital que podia prestar uma correta assistência à vítima».

Fonte do INEM explicou-nos que as queimaduras do operário eletrocutado são, «para além de graves, extensas em 70% do corpo. Não é qualquer hospital que tem essa capacidade. Oss que têm naquele momento já tinham pessoas que não lhes permitia ter mais».

O helicóptero médico que transportou o doente está equipado «como se fosse praticamente um hospital» para garantir, durante a viagem Lisboa-Porto, todos os cuidados necessários.

Também tentámos contactar a Administação Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, que nos reencaminhou para o CHLC. O contacto efetuado para o Ministério da Saúde também se revelou infrutífero.