Um ex-camionista que foi um dos líderes do bloqueio da Ponte 25 de Abril em 1994 foi condenado esta sexta-feira a três anos e meio de prisão, com pena suspensa, por falsificação de documentos e posse de arma proibida.

Jaime Pinto, que começou a ser julgado em fevereiro no Tribunal de Loulé por aqueles crimes, está há um ano e meio a cumprir uma pena de oito anos de prisão, por tráfico de droga, mas a condenação desta sexta-feira não deverá interferir na pena que ainda tem que cumprir, em Lisboa, explicou o advogado Tiago Melo Alves.

Apesar dos antecedentes criminais de Jaime Pinto e de terem ficado provados ambos os crimes, o tribunal considerou uma atenuante o facto de a espingarda caçadeira ter sido encontrada na sua residência, acontecendo o mesmo relativamente aos documentos falsos, já que terão sido usados apenas para pedir uma carta de condução.

Apesar de Jaime Pinto não estar pronunciado por esse crime, no mesmo processo foram também julgados cinco cidadãos marroquinos por tráfico de droga, a quem o principal arguido arrendou uma moradia, entre dezembro de 2012 e março de 2013, no condomínio «Millenium Golf Residence», em Vilamoura.

Embora o tribunal tenha ilibado o grupo do crime de associação criminosa, o alegado líder da organização foi condenado a sete anos e oito meses de prisão, um segundo membro a seis anos e meio e os restantes a três a seis anos, tendo para todos sido determinada a expulsão do país, onde não poderão regressar durante oito anos.

No decorrer da operação que levou à detenção dos cinco homens foram apreendidos 286 quilogramas de haxixe, droga acondicionada em duas viaturas que estavam em trânsito na autoestrada do Sul e ainda na moradia que o grupo tinha arrendado, em Vilamoura.

Tiago Melo Alves, advogado do membro do grupo com a pena mais pesada, disse aos jornalistas, à margem da leitura da sentença, que as buscas à moradia foram ilegais, admitindo recorrer da sentença.

«O flagrante delito em que o cliente foi detido não admite buscas à sua residência a 300 quilómetros de distância», afirmou o causídico, que se encontrava também em representação do advogado de Jaime Pinto.

Além da pena suspensa de três anos e meio de prisão a que foi condenado, Jaime Pinto ficou impedido de possuir armas durante um período de quatro anos.

Jaime Pinto já tinha sido detido em 2000 por, alegadamente, liderar com o irmão uma rede de tráfico de droga.

Em 2003 começou a ser julgado e em 2005 foi condenado, mas ficou em liberdade à espera do resultado dos recursos, que terminaram em 2009, quando a sentença terá transitado em julgado.

Contudo, não se apresentou para cumprir a pena.