Por: tvi24 / CP | 30- 7- 2010 23: 29
Duas centenas de católicos de Fafe participaram esta sexta-feira à noite numa vigília para manifestarem «perante Deus»
a sua revolta pela substituição do pároco local, Peixoto Lopes, ordenada pelo arcebispado de Braga.
«O povo está
aqui, perante Deus, a manifestar a sua revolta. Lamento que o senhor arcebispo [Jorge Ortiga] não ouça o povo de Deus», disse
à Lusa Altino Cima, um dos fiéis de Fafe que contesta a decisão da hierarquia católica diocesana.
A vigília decorreu
na igreja nova de Fafe (Igreja de São José) e terminou com uma largada de balões, feita já no exterior do templo, sob fortes
aplausos, «vivas» ao padre Peixoto Lopes e promessas de que «a luta continua».
«O que choca esta gente é que não
ouçam a voz do povo e nem expliquem por que querem substituir o padre», disse Altino Cima, rejeitando as explicações «mentirosas»
dadas pelo arcebispo de Braga para a substituição do padre de Fafe: primeiro, enquadradas no âmbito de uma suposta reestruturação
da paróquia e, depois, justificadas pela necessidade de promover a rotatividade dos padres.
A fonte admitiu que a
substituição se relaciona com um diferendo envolvendo o padre Peixoto Lopes e outro pároco colocado recentemente em Fafe,
Manuel Faria, responsável directo pela Igreja do Coração de Jesus, que estaria a exercer a sua função como se liderasse uma
paróquia independente.
Na sua perspectiva, o arcebispo Jorge Ortiga deveria definir claramente o papel de coordenação
geral da paróquia ou, então, criar uma segunda paróquia sedeada na Igreja do Coração de Jesus. «Era uma solução e o povo não
se revoltava», assegurou.
A vigília abriu com a leitura de um texto sobre o padre João Maria Vianney, canonizado
em 1025 e tornado padroeiro dos sacerdotes, celebrizado pelo seu carácter empreendedor enquanto pároco da localidade francesa
de Ars.
Os católicos de Fafe têm atribuído características similares ao padre Peixoto Lopes, sublinhando por diversas
vezes que deixa a paróquia com obras avaliadas em vários milhões de euros e que chegou a vender um apartamento para ajudar
a co-financiá-las.
No final do protesto, o próprio padre Peixoto Lopes agradeceu a manifestação de solidariedade,
mas disse esperar que seja a última, porque pretende «aceitar a vontade de Deus».
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