O líder de uma rede de 27 arguidos julgados no Porto num processo de fraude fiscal no setor da importação de pneus admitiu hoje que as vendas em Portugal eram feitas «sem faturas».

«A maior parte [dos factos da acusação] sim, [é verdade]», começou por dizer o arguido que se encontra a ser julgado nas Varas Criminais do Porto, num processo em que está acusado de fraude fiscal, branqueamento de capitais e associação criminosa.

Admitindo ser o chefe do grupo, e assumindo responsabilidade pelas sete empresas envolvidas, o arguido confirmou que se dedicava à compra de pneus a fornecedores estrangeiros com um regime especial de IVA.

«Quando o produto entrava em Portugal, tinha que ser declarado (...), o que não foi feito», afirmou o juiz do coletivo, com a anuência do arguido, segundo o qual as vendas eram depois feitas «tudo sem faturas».

No processo estão a ser julgadas 20 pessoas e sete sociedades cujos responsáveis eram pessoas de nacionalidade brasileira que, a pedido do líder do grupo, funcionavam como ¿testas de ferro¿ no esquema para o qual «só deram o nome».

Dessas sociedades, o líder, que hoje prestou declarações em tribunal, admitiu receber uma determinada comissão das vendas dos pneus que eram entretanto guardados em vários armazéns.

O arguido quis ainda ilibar a mulher e irmãos que estão igualmente acusados no processo.

O Ministério Público exige aos arguidos e empresas mais de 10 milhões de euros.

O julgamento prossegue na tarde de hoje na Segunda Vara Criminal do Porto.