Quase quatro anos depois, só hoje é que as gravações das escutas a José Sócrates, no âmbito do processo «Face Oculta», foram destruídas.

«Os produtos que se encontravam em 4 CD e 4 DVD já foram destruídos. Foi feito um corte inicial de x-ato e, depois, os suportes foram colocados na máquina trituradora», descreveu à Lusa o juiz presidente do Tribunal de Aveiro, Paulo Brandão.

Destruição demorou quatro horas

A eliminação das gravações foi feita no gabinete do juiz presidente do coletivo que julgou o caso, Raul Cordeiro. O processo levou quatro hora: começou às 14:00 e só terminou cerca das 18:00.

«A operação demorou mais do que o esperado, porque os produtos a serem destruídos estavam misturados com outros ficheiros que eram para manter», explicou o juiz presidente do Tribunal de Aveiro.

O processo «Face Oculta» chegou ao fim na passada sexta-feira, com todos os arguidos condenados. As escutas que envolviam o ex-primeiro-ministro acabaram por ser destruídas só esta segunda-feira, embora a primeira ordem para tal tivesse sido dada em dezembro de 2010, pelo então presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento. E, na altura, era uma decisão com caráter «imediato».

Nas escutas feitas durante a investigação do caso «Face Oculta» foram intercetadas, pelo menos, 11 conversas entre o arguido Armando Vara e Sócrates, que foram mandadas destruir pelo então presidente do STJ, depois de o ex-Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, ter considerado que o seu conteúdo não tinha relevância criminal.

No entanto, houve cinco produtos de voz (gravações) e 26 mensagens de telemóvel (SMS) que escaparam a esta ordem e que só terão sido detetados quando o processo foi para Lisboa, onde decorreu a fase de instrução.

No entanto, o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, Carlos Alexandre, decidiu não as destruir sem primeiro notificar os arguidos e assistentes da decisão do presidente do STJ de eliminar as gravações.

Quando o processo regressou à Comarca do Baixo Vouga, o juiz Carlos Alexandre enviou também o envelope contendo as escutas e as mensagens de telemóvel, que se manteve guardado no cofre do tribunal de Ovar.

Agora, quase quatro anos depois, também o caso das polémicas escutas chega, definitivamente, ao fim.