A Força Aérea alega que usou todos os «recursos disponíveis» para responder ao pedido de «evacuação médica», no sábado, em São Jorge, Açores, lamentando o desfecho da situação, em que um homem acabou por morrer enquanto aguardava transporte.

Em comunicado divulgado esta segunda-feira, a Força Aérea (FA) afirma lamentar «profundamente o desfecho da situação», referindo estar «consciente de que colocou, como sempre, todos os seus recursos disponíveis ao dispor da segurança e bem-estar das populações».

Um homem «gravemente ferido» depois de ter sido colhido por um touro durante uma tourada à corda morreu no sábado na ilha de São Jorge, enquanto esperava por meios da Força Aérea para ser transferido para o hospital de Ponta Delgada.

O doente deu entrada às 18:15 na Unidade de Saúde de Ilha de São Jorge, que, mais tarde, dado o agravamento do quadro clínico, pediu meios para uma transferência urgente para o hospital de Ponta Delgada.

Segundo a FA, o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores solicitou uma «evacuação aérea» à Base Aérea n.º 4 (situada nas Lajes, na ilha Terceira), às 20:31, hora local.

No entanto, «dado que a previsão de aterragem em São Jorge ocorreria depois do pôr-do-sol, a evacuação teria de ser realizada por helicóptero EH-101 Merlin destacado na Base das Lajes».

Segundo a FA, a aeronave C-295 «não opera naquele aeródromo no período noturno».

«Todavia, o helicóptero EH-101 Merlin encontrava-se a cumprir uma evacuação sanitária de um tripulante de um navio localizado a cerca de 980 km da ilha Terceira, estando por isso indisponível», refere o comunicado.

Segundo a FA, o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores sugeriu então que a operação fosse realizada a partir da ilha do Pico, «aeródromo que reúne as condições de segurança para operação noturna por aviões», o que foi considerado pelos militares como «válido» do ponto de vista operacional.

No entanto, acrescenta a FA, quando a aeronave estava pronta para descolar, foi recebida a informação que o paciente tinha falecido e por isso foi cancelada a missão.

Num comunicado divulgado, o presidente do Governo dos Açores pediu a realização de um inquérito ao caso, sublinhando que «a certificação ou não do aeródromo de São Jorge para operação noturna» diz respeito a voos comerciais, «mas não releva para voos de emergência de evacuação aeromédica», como aquele «que era imprescindível» neste caso.

Nos Açores, apenas três das nove ilhas do arquipélago têm hospital. Em caso de urgência, é a Força Aérea, que tem uma base nas Lajes, na ilha Terceira, que garante a transferência dos doentes.

Nas regiões autónomas, a FA tem dois helicópteros EH-101 destacados na base das Lajes, Açores, e um em Porto Santo, Madeira. No entanto, tem apenas um piloto-comandante disponível, nas Lajes.

No passado dia 17, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea, José Pinheiro, recusou comprometer-se com uma data para a substituição do piloto-comandante em falta no destacamento daquele ramo na Madeira, afirmando que será «tão cedo quanto possível».

«A Força Aérea (FA) está a fazer todos os esforços para resolver o problema tão cedo quanto possível e estamos a fazê-lo, a reforçar a instrução, só que as pessoas têm de ter experiência, têm de cumprir critérios e parâmetros e é uma questão de tempo», afirmou, na altura, o general José Pinheiro.