A ministra da Justiça aceitou o pedido de extradição para o Brasil do cidadão luso-brasileiro Raul Schmidt, detido em Lisboa no âmbito da operação Lava Jato, cabendo agora ao Tribunal da Relação de Lisboa decidir judicialmente a questão.

"A ministra da Justiça decidiu pela admissibilidade do pedido de extradição do cidadão luso-brasileiro Raul Schmidt, detido pelos factos anteriores à data em que obteve a nacionalidade portuguesa", informou esta terça-feira o Ministério da Justiça em resposta enviada à agência Lusa.

A decisão de Francisca Van Dunem de aceitar o pedido de extradição de Raul Schmidt prende-se com o facto de os alegados crimes praticados pelo suspeito da Operação Lava Jato serem anteriores à aquisição de nacionalidade portuguesa.

O despacho da ministra da Justiça pôs fim à fase administrativa do processo, transitando agora o caso para a fase judicial, no Tribunal da Relação de Lisboa.

A 22 de março, o Tribunal das Relação de Lisboa determinou como medida de coação a prisão preventiva de Raul Schmidt, no âmbito da operação Lava Jato, que investiga crimes económico-financeiros na Petrobras, no Brasil.

Na altura, Raul Schmidt foi ouvido pelo juiz da Relação de Lisboa Agostinho Torres que determinou a sua prisão preventiva, depois de dias antes o sócio de um antigo diretor da Petrobras ter sido detido, no cumprimento de uma carta rogatória das autoridades brasileiras.

A PJ explicou então que “o detido foi investigado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal do Brasil por ter agido como intermediário de operações da Petrobras que levaram ao recebimento indevido de comissões no valor de vários milhões de reais”.

A investigação da operação Lava Jato começou em março de 2014.