O Tribunal de Monsanto, em Lisboa, condenou esta sexta-feira, a penas entre os seis e os 23 anos de prisão, 13 dos 14 arguidos acusados de raptos, extorsão, roubo e tráfico de droga, sendo absolvidos do crime de associação criminosa.

A pena mais pesada foi aplicada a Carlos Tavares que também foi condenado pelo homicídio de Carlos Oliveira, de 25 anos, a 03 de agosto de 2010, quando este se encontrava num café na Quinta do Loureiro, em Lisboa. Para o tribunal houve «um plano arquitetado» para matar o jovem.

Três arguidos foram condenados a 17 anos de prisão, um outro a 16 anos, dois a 14 anos e dois outros a nove anos e quatro meses de prisão. Além disso, o coletivo de juízes, presidido por Raquel Pires, aplicou ainda uma pena de oito anos e oito meses, duas condenações de sete anos e oito meses e uma de seis anos.

Os 13 homens, com idades entre os 22 e os 41 anos, encontram-se em prisão preventiva e assim vão continuar. Uma mulher, de 27 anos, que estava em liberdade, foi a única absolvida no processo.

Durante a leitura do acórdão e à medida que iam sendo conhecidas as penas, alguns familiares dos arguidos começaram a chorar e a gritar, obrigando à sua retirada da sala de audiências.

Para o tribunal ficou provada parcialmente a acusação do Ministério Público.

Além do homicídio [os dois homens coautores no crime foram condenados a 19 anos de prisão num outro processo], o coletivo de juízes deu como provados os dois raptos levados a cabo pelos arguidos além dos crimes de extorsão, roubos e tráfico de droga.

Contudo, para o coletivo de juízes não ficou provado que houvesse dois grupos liderados por dois dos arguidos conhecidos por Mingo e Punga, e que agissem «de uma forma organizada, estruturada e hierarquizada», razão pela qual foram todos absolvidos do crime de associação criminosa.

Um dos raptos, perpetrado em julho de 2011, envolveu um empresário que foi libertado e encontrado pelo irmão a deambular na via pública, no Casal do Marco, concelho do Seixal, após o pagamento de 98 mil euros aos raptores.

No segundo rapto, os arguidos colocaram um homem que tinha um estabelecimento comercial na Pontinha na bagageira do carro e levaram-no para um armazém na margem sul, onde os agressores acabariam por ser detidos em flagrante delito.

Os arguidos foram ainda condenados a pagar mais de 100 mil euros às vítimas.

Dois dos advogados consideraram as penas «exageradas», acrescentando, à saída do Tribunal de Monsanto, que vão recorrer do acórdão.

Segundo a acusação do Ministério Público, os elementos desenvolviam o tráfico de estupefacientes a partir do Bairro da Cova da Moura, na Amadora.