O ministro da Defesa manifestou esta segunda-feira "profundo pesar" pela morte de um militar de um curso de Comandos, tendo já transmitido à família do falecido a sua "solidariedade pessoal e do Governo neste momento de dor e sofrimento".

Foi com profunda consternação que o ministro da Defesa Nacional recebeu ao final da noite de ontem notícia do sucedido pelo chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte. O ministro da Defesa Nacional teve já esta manhã a possibilidade de falar com a família e transmitir-lhe a sua solidariedade pessoal e do Governo neste momento de dor e sofrimento", diz nota enviada à imprensa pelo ministério da Defesa, tutelado por Azeredo Lopes.

Um militar morreu no domingo à noite devido a um “golpe de calor” depois de um treino do curso de Comandos.

"Os familiares e os camaradas" do militar falecido, nota o Governo, "estão a receber apoio psicológico disponibilizado pelo Exército", e "foram também tomadas todas as diligências necessárias para se apurar as circunstâncias e causas desta morte trágica".

Neste dia de luto para o Exército e para as Forças Armadas, o ministro da Defesa Nacional e o Governo endereçam à família do militar falecido as suas mais sinceras e sentidas condolências", diz o executivo, através do ministério da Defesa.

Também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apresentou as "mais profundas condolências" aos familiares do militar, desejando um "célere restabelecimento" ao outro militar que está hospitalizado.

"Tendo tomado conhecimento do falecimento de um militar do curso de Comandos, apresento as minhas mais profundas condolências aos familiares deste militar do Exército que pereceu ao serviço de Portugal", pode ler-se num comunicado publicado na página da Presidência da República.

O Comandante Supremo das Forças Armadas manifestou igualmente "pesar e solidariedade a todos aqueles que sentem com maior dor a perda súbita deste seu camarada e amigo" e desejou "também um célere restabelecimento do militar que se encontra hospitalizado".

O Exército esclareceu já que apesar da morte de um militar e de um outro ter ficado ferido no domingo, os treinos vão continuar, embora adaptados ao tempo quente que está previsto para hoje.

Numa resposta enviada à agência Lusa, as relações públicas do Exército avançaram que os incidentes ocorreram ambos na região de Alcochete, no distrito de Setúbal, embora em locais diferentes, sendo que o incidente do militar que veio a falecer ocorreu pelas 15:40 e o do ferido cerca de uma hora mais tarde.

De acordo com a mesma fonte, os treinos de domingo “não foram suspensos, foram adaptados”, o mesmo sucedendo para hoje, com a previsão de realização de mais treinos, igualmente adaptados às condições atmosféricas.

De acordo com uma primeira nota do Exército português, o militar falecido, que frequentava o 127.º curso de Comandos, sentiu-se “indisposto durante uma prova de tiro (tiro reativo)” tendo sido de imediato assistido pelo médico que acompanhava a instrução, que lhe diagnosticou “um golpe de calor”.

Esse facto determinou a saída do militar da instrução e a sua transferência para a enfermaria de campanha, onde terá ficado em observação, segundo a mesma nota.

Como após o jantar a situação clínica do militar piorou, o médico optou pela sua retirada para um hospital, mas acabou por morrer após uma paragem cardiorrespiratória antes de chegar a ser transferido.

Segundo o Exército, houve ainda um outro militar que se sentiu indisposto na instrução técnica de combate (progressão no terreno), ao qual também foi diagnosticado com “golpe de calor” e retirado, numa primeira fase para a enfermaria de campanha, e mais tarde, cerca das 23:40 para o hospital do Barreiro.

O chefe do Estado-Maior do Exército ordenou já um inquérito para apurar as causas em que o “trágico acontecimento ocorreu”, pode ler-se ainda na nota, que adianta também que a Polícia Judiciária militar já se encontra a tomar conta da ocorrência.