O chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, anunciou este sábado que exonerou cinco comandantes de unidades do ramo para não interferirem com os processos de averiguações sobre o furto de material de guerra em Tancos.

Não quero que haja entraves às averiguações e decidi exonerar os cinco comandantes das unidades que de alguma forma estão relacionadas com estes processos", anunciou Rovisco Duarte, em declarações à RTP.

Os militares exonerados são o comandante da Unidade de Apoio da Brigada de Reação Rápida, o comandante do Regimento de Infantaria 15, o comandante do Regimento de Paraquedistas, o comandante do Regimento de Engenharia 1 e o comandante da Unidade de Apoio de Material do Exército.

Rovisco Duarte disse que decidiu exonerar estes comandantes "por uma questão de clareza e para não interferirem com o processo de averiguações até se esclarecer".

O responsável confirmou a relação do armamento roubado avançada pelo Diário de Notícias, 44 lança-granadas, quatro engenhos explosivos, 120 granadas de mão e 1.500 munições de nove milímetros, e adiantou que o furto terá ocorrido "noite/madrugada" entre duas rondas.

O general reiterou que "pessoalmente" admite a possibilidade de ter havido fuga de informação face às "evidências" conhecidas, frisando que foram escolhidos dois paióis específicos em 20 e não eram os que estavam mais próximos da entrada. Uma posição que, de resto, já tinha assinalado horas antes, em declarações à SIC.

Rovisco Duarte disse ainda que irá alterar o sistema de rondas.

O porta-voz do Exército,Vicente Pereira, já veio esclarecer que as exonerações são temporárias e vigoram até serem concluídas as averiguações. As unidades em causa ficarão a ser chefiadas pelos atuais segundos comandantes até haver conclusões.

 

Exército reforça segurança em Tancos e determina inspeções aos paióis

Já depois desta entrevista, o Exército informou, em comunicado, que foram reforçadas as medidas de segurança nos Paióis Nacionais de Tancos e determinadas inspeções a estes paióis e aos de Santa Margarida.

O Exército refere ainda que serão instaurados vários processos de averiguações e instaurado o sistema de vigilância eletrónica ainda em 2017.

Sobre as exonerações anunciadas, o comunicado refere que estas não se encontram ligadas, nem têm qualquer associação, “a algum indício ou suspeita de envolvimento ilícito dos titulares destes cargos”.

“Prende-se única e exclusivamente com a necessidade de se criarem todas as garantias de que as averiguações em curso decorrerão de forma absolutamente isenta e transparente”, refere.

O comunicado informa que, por decisão do CEME, foi decidido tomar “de imediato” as seguintes medidas de reforço à segurança física dos Paióis Nacionais: aumento do número de militares envolvidos na segurança física das instalações e aumento da frequência das rondas móveis motorizadas e apeadas.

Por outro lado, a Inspeção-Geral do Exército (IGE) irá efetuar uma inspeção de segurança aos Paióis Nacionais de Tancos e de Santa Margarida.

O Exército informa ainda que serão instaurados processos de averiguações na Área Técnica (cargas e condições de armazenagem), Área de Segurança Física (intrusão) e Área do Sistema Integrado de Controlo de Acessos e Vigilância Eletrónica (SICAVE).

O comunicado acrescenta que será assegurada, ainda este ano, a implementação do projeto SICAVE.

Estas informações surgem depois de o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, ter afirmado que estava surpreendido porque ainda ninguém na hierarquia militar tinha apresentado a demissão ou tinha sido exonerado na sequência do furto, o maior no país no que diz respeito a armas militares.

O Exército revelou na sexta-feira que entre o material de guerra roubado na quarta-feira dos Paióis Nacionais de Tancos estão "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogéneo e explosivos, mas não divulgou quantidades.

O ministro da Defesa assumiu este sábado a "responsabilidade política" pelo roubo, depois de os partidos políticos terem criticado o sucedido, com o CDS-PP a exigir a audição parlamentar de Azeredo Lopes e o PSD a pedir também para ser ouvido o general Rovisco Duarte.