O exercício regular em idade avançada pode aumentar a esperança média de vida em cinco anos e ser tão importante para a saúde como deixar de fumar, indica um novo estudo.

Segundo a BBC, a investigação conduzida na Noruega, pelo Hospital Universitário de Oslo, e publicado no “British Journal of Sports Medicine”, concluiu que uma hora ou menos de exercício “leve” por semana é inútil a combater o envelhecimento e as doenças associadas à idade avançada. Porém, três horas ou mais de exercício por cada seis dias pode significar mais cinco anos de vida.

O estudo também concluiu que existe uma ligação entre o aumento da atividade física e a diminuição do risco doenças cardiovasculares e não-cardiovasculares. Cerca de 30 minutos, seis dias por semana (as tais três horas), foi associada a uma redução de 40% no risco de mortalidade. Os sujeitos que praticavam exercício moderado ou intensivo tinham uma esperança de vida de cinco anos superior aos sedentários.

Mesmo acima dos 73 anos, a falta de atividade física está altamente associada à mortalidade, quando comparados grupos de sedentários e pessoas ativas fisicamente.
 
A investigação baseou-se num estudo conduzido em 1972-73, onde participaram 14 846 homens, nascidos entre 1923–1932. As conclusões foram resultado de um acompanhamento de 12 anos aos 5738 sujeitos que ainda estavam vivos em 2000. Durante este período 2154 morreram.

 

Portugueses são dos que menos fazem exercício na Europa


Estas conclusões não são propriamente boas notícias para a maioria dos portugueses adultos, pelo menos se os hábitos da maioria não se alterarem.

Um outro estudo publicado pela Fundação Britânica do Coração (BHF, sigla em inglês), baseado em dados da Comissão Europeia, analisou o nível de atividade física entre adultos dos 28 países da União Europeia, e em seis categorias de análise, os portugueses só saem “bem-vistos” em uma.

As categorias do estudo eram: prática de um desporto, exercício sem integrar um desporto, exercício moderado, exercício “forte”, caminhadas com mais de 10 minutos, e hábitos sedentários.

Desde logo na categoria que se pode relacionar com o primeiro estudo, a prática de exercício moderado, os portugueses ficam em antepenúltimo lugar na tabela, à frente da Malta (último) e Chipre, com  69% dos adultos a admitirem não praticar qualquer exercício. Dos fisicamente ativos, cerca de 17% fazem-no entre um a três dias por semana, enquanto apenas 14% admitem praticar mais de quatro dias por semana.

O país líder da categoria é a Holanda, onde apenas 14% dizem não praticar qualquer exercício físico, enquanto a média europeia se fica pelos 44%.

Se olharmos para a categoria “exercício ‘forte’”, atividade mais intensa, os números são ainda piores. Aqui Portugal cai para o  último lugar da tabela, com 76% da população a admitir não praticar exercício vigoroso. Destes, apenas 15% o pratica entre um a três dias por semana e apenas 9% mais de quatro dias. Logo a seguir estão a Malta e a Espanha, com 70% e 67%, respetivamente. Aqui a melhor taxa pertence à Finlândia, onde só 37% da população não pratica desporto mais exigente.

Portugal também não fica bem na fotografia nas categorias da "prática de um desporto", e "exercício sem integrar um desporto": na primeira, Portugal é antepenúltimo da tabela, com 64% a admitirem não praticarem qualquer desporto, e apenas 8% a dizerem fazê-lo com regularidade. Já na segunda categoria, apenas 7% dizem praticar exercício regularmente (novamente garantindo um antepenúltimo lugar), enquanto 60% admitem nunca fazê-lo.

Os portugueses só descolam do fundo da tabela no exercício de menor intensidade: apenas 17% dos portugueses anda mais de 10 minutos a pé de cada vez, o que coloca Portugal em 22º lugar, apenas à frente da Hungria, Bélgica, Itália, Polónia e Chipre (último).

Por fim, a única categoria onde os portugueses se destacam com mérito é nos hábitos sedentários: apenas 6% admite ter estes hábitos mais de 8 horas e 30 minutos por dia, o que coloca Portugal no segundo lugar entre os 28, apenas ultrapassado pela Itália. A maioria (37%) diz ter estes comportamentos apenas entre 2 horas e 31 minutos a 5 horas e 30 minutos, por dia, abaixo da média europeia (43%).

Curiosamente, a Holanda, o país onde apenas 14% dizem não praticar qualquer exercício, lidera a tabela dos sedentários (com mais de 8h30m) com 25% da população a admitir estes hábitos.