A saúde é a principal motivação para estudantes universitários praticarem desporto, seguindo-se o fator “prazer” e a “satisfação pessoal”, revela um estudo da Universidade do Porto realizado este ano letivo a mais 300 "caloiros" daquela academia.

O trabalho científico, denominado “Relação dos hábitos desportivos dos estudantes universitários e suas motivações: estudo de comunidade da Universidade do Porto (UP)”, contou com inquéritos a 311 alunos da Faculdade de Desporto da UP, com idades entre os 17 e os 42 anos, conclui que os fatores relacionados com a saúde foram os mais significativos para a prática desportiva, seguidos do fator prazer e satisfação pessoal.

Em entrevista à Lusa, Olga Freitas, uma das investigadoras participantes no estudo científico, explica que a “preferência pela categoria saúde pode ser explicada pelo conhecimento por parte dos estudantes de informações relacionadas com uma melhor qualidade de vida”.

A amostra global revela também que mais de 40% dos indivíduos não exerce qualquer tipo de prática física, o que mostra que o número é “muito elevado e talvez preocupante”, tendo em conta a idade dos inquiridos.

Dos que praticam exercício físico, a frequência é de duas a três vezes por semana. Mas essa frequência regular de exercício é resultante, principalmente, do elevado número de praticantes do sexo masculino (aproximadamente 55%), em comparação com o género feminino (34%).

“O facto de o sexo masculino apresentar maiores níveis de frequência podem ser explicados pelas diferenças biológicas, socioculturais e de perceção do corpo e atributos de género”, lê-se no estudo.

No âmbito da escolha da prática desportiva, ficou-se a saber que os indivíduos do sexo feminino são mais orientadas para “atividades leves”, fundamentado pela “fragilidade e delicadeza do corpo”, e que os indivíduos do sexo masculino são dirigidos para atividades mais “vigorosas”, com ideias de corpos “fortes e vigorosos”.

Os dados revelam que são os homens que apresentam maior frequência na prática desportiva, enquanto as mulheres têm uma linha mais ténue neste assunto.

Em termos de idades, há uma maior frequência de prática nos sujeitos com idades superiores a 18 anos, e uma menor frequência nas idades iguais ou abaixo de 18 anos, um facto que talvez explique pelo tempo mais limitada de um estudante que está numa fase de preparação para a entrada da faculdade e porque há um maior abandono da prática desportiva antes dos 18 anos.

“A adaptação à nova realidade pode levar mais tarde ao (re) ingresso duma atividade física, levando por isso a um aumento da frequência”, lê-se no estudo.

O número de estudantes universitárias a praticar desporto diminui à medida que a frequência da prática de desporto aumenta é outra das conclusões.