A diferença média entre as notas conseguidas ao longo do ano e nos exames nacionais do 12º ano ultrapassa, este ano, os cinco valores nas disciplinas de Biologia e Geologia assim como Física e Química A.

Não existe nenhuma cadeira onde a média das notas dada pelos professores pelo trabalho realizado ao longo do ano (nota interna) seja equivalente aos resultados obtidos nos exames nacionais. Em seis disciplinas as médias internas positivas passam a negativas nos exames.

Em Física e Química A assim como em Biologia e Geologia há uma diferença superior a cinco valores. Nas aulas de Física, a nota média dos alunos foi de 13,28 valores mas nos exames as médias baixaram para 8,11 valores. No caso de Biologia e Geologia as notas médias desceram de 13,75 valores para 8,43.

Este ano, houve outras duas disciplinas em que as notas conseguidas ao longo do ano foram, em média, quatro valores superiores às notas dos exames: Inglês (mais 4,14 valores) e Espanhol (mais 4,56 valores).

As menores diferenças encontram-se nas disciplinas de Francês (mais 1,67 valores do que no exame), Literatura Portuguesa (mais 1,9 valores) e Geometria Descritiva A (2,28 valores).

Física e Química A, Biologia e Geologia, Matemática A, Geografia A, Português e Matemática Aplicada às Ciências Sociais são as disciplinas em que as médias dos exames foi negativa. Nestas seis cadeiras, a média de notas conseguidas pelo trabalho realizado ao longo do ano era de 13 valores.

Distritos chumbam com piores médias desde 2011

Todos os distritos tiveram uma média negativa nos exames do 12º ano, devido ao agravamento das notas que, no ano anterior, tinham permitido a metade das regiões chegar à média positiva.

Ao contrário da média interna dos alunos, que em todos os distritos ronda os 13 valores, a nota média dos exames foi sempre negativa. Apenas os distritos de Lisboa e Coimbra ficaram a menos de uma décima da positiva.

Segundo uma análise feita pela agência Lusa aos dados disponibilizados pelo Ministério da Educação e Ciência, as médias têm vindo a descer nos últimos anos.

Em 2010/2011, sete distritos tiveram média negativa. No ano seguinte, subiram para dez os distritos com média negativa e agora, os números mostram que, no passado ano letivo, nenhum dos 18 atingiu a positiva, acontecendo o mesmo nas regiões autónomas e nas escolas portuguesas no estrangeiro.

O distrito onde se realizaram mais provas no final do passado ano letivo foi o que ficou mais próximo de chegar à positiva: Em Lisboa, a média das 41.796 provas foi de 9,98 valores. No ano anterior, os 40.419 exames tiveram uma média de 10,5 valores.

Lisboa e Coimbra trocam de lugares no ranking. Coimbra, que no ano passado era o distrito com melhor média, fica agora em segundo lugar com 9,95 valores nos 8726 exames realizados.

No distrito do Porto, os 36.405 exames realizados por alunos do 12º ano tiveram uma média de 9,73 valores, seguindo-se Leiria, Braga e Aveiro.

Os restantes distritos, com uma média inferior a 9,7 valores e por ordem decrescente, são: Viana do Castelo, Santarém, Castelo Branco, Viseu, Beja, Faro, Setúbal, as ilhas da Madeira e dos Açores, Vila Real, Évora, Bragança, Guarda e Portalegre.

As médias negativas podem justificar-se pelo facto de haver muito mais alunos a fazer exames às disciplinas em que habitualmente têm piores resultados.

No exame de Português, por exemplo, apenas os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto e Santarém conseguiram este ano obter média positiva. Todos os outros ficaram abaixo dos dez valores.

Todos os distritos tiveram média negativa a Biologia e Geologia, assim como a Física e Química, cada uma das provas com cerca de 30 mil exames realizados. Já a Matemática A, com mais de 31 mil exames realizados, apenas os alunos de Coimbra, Leiria e Lisboa conseguiram resultados médios positivos.