As oscilações nos resultados da prova final de Matemática do 3º ciclo do ensino básico, nos últimos três anos, podem ser explicadas pela mediatização dos resultados nas provas intermédias, defendeu o Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), em relatório.

De acordo com a informação divulgada nesta quarta-feira pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), no relatório «Análise Preliminar dos Resultados das Provas Finais de Ciclo e Exames Finais Nacionais 2013», elaborado pelo GAVE, as variações registadas nos resultados médios da prova final de Matemática do 3º ciclo, entre 2011 e 2013, devem-se à mediatização dos fracos resultados obtidos nos testes intermédios em 2012.

Em 2011, os alunos do 9º ano de escolaridade conseguiram a Matemática a nota média de 44% (numa escala de zero a 100%), em 2012 subiram 10% para os 54% e, em 2013, baixaram 10% para os 44%.

A justificação encontrada pelo GAVE estará não em graus de dificuldade diferentes nas provas - «as provas de 2011 e de 2012 foram consideradas, quer pela Associação de Professores de Matemática quer pela Sociedade Portuguesa de Matemática, como tendo um nível de dificuldade equivalente» -, mas pela mediatização, em 2012, da média nacional «muito baixa» de 31,1%, registada nos testes intermédios, que antecedem em poucos meses as provas finais.

«Ao contrário dos alunos que realizaram a prova final de ciclo em 2012, pressionados pela difusão de notícias fortemente alarmantes em relação à possível dificuldade da prova final, em 2013 este tipo de pressão não se terá feito sentir», defende o relatório do GAVE acrescentando que isto poderá ter originado um menor nível de empenho por parte dos alunos neste ano letivo, na preparação para as provas finais.

Com maior empenho «as classificações médias poderão voltar a registar valores similares aos de 2012 (na casa dos 50% a 55%), sem que seja necessário baixar o nível de dificuldade das provas», defende o GAVE.

Com exceção deste caso (a Matemática do 3º ciclo), o GAVE considera os resultados médios nas provas finais de 2º e 3º ciclos são normais e não indicativos de qualquer «regressão na qualidade da aprendizagem dos alunos» ficando as oscilações de ano para ano a dever-se a diferenças no desempenho dos alunos.

Considerando todo o universo escolar em avaliação - do 1º ciclo ao ensino secundário - «os resultados das provas finais de ciclo e dos exames finais nacionais de 2013, numa análise preliminar permitem concluir que o desempenho médio dos alunos portugueses, em sede da avaliação externa, mostra sinais de estabilidade», lê-se no relatório do GAVE.

«Esta constatação, que só poderá ser confirmada com a análise dos resultados por item, a realizar durante o próximo ano letivo, está em consonância com o que tem sido habitual nos últimos quatro anos. Assim, se é verdade que enfrentamos um quadro de estabilidade nos resultados que permite inferir a ausência de progressos na qualidade da aprendizagem, também é verdade que estamos muito longe de um cenário de degradação acentuada dessa mesma qualidade», acrescenta o documento.