O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) criticou hoje o «alarme social» sobre uma quebra dos resultados de Matemática A, nas notas dos exames do ensino secundário, considerando que é um cenário «desprovido de qualquer relação com a realidade».

«Este cenário, aliás já observado em 2013, em torno de uma alegada quebra acentuada nos resultados, situação que a análise factual dos mesmos se encarregou de desmentir, é, em 2014, também completamente desprovido de qualquer relação com a realidade», diz o IAVE num comentário preliminar aos resultados dos exames finais nacionais do ensino secundário.

Os resultados, divulgados na última sexta-feira, indicam que as médias foram negativas a História A (média de 9,2) e Matemática A (média de 7,8), ambas a descerem em relação ao ano letivo anterior.

A análise hoje divulgada diz que variações como a verificada (0,5 valores em 20) «são estatisticamente irrelevantes e sem qualquer significado» e «não permitem inferir a existência de uma prova com acrescido grau de dificuldade, de uma prova mal concebida, sem validade de conteúdo ou, muito menos, uma qualquer regressão na capacidade global dos alunos avaliados, por comparação com anos anteriores».

Diz-se ainda, na análise, que o alarme social se baseou na divulgação de uma média total a Matemática de 7,8 valores, que resulta do cálculo da média de resultados de alunos internos e autopropostos, mas é, acrescenta-se, um indicador «inadequado» pelo que «a sua divulgação é desprovida de sentido».

Entende o IAVE que os dois dados (internos e autopropostos) não se deviam de misturar. E explica: «Os números falam por si: a média dos alunos internos foi de 92 pontos; a dos alunos autopropostos não foi além de 48 pontos».

«Agregar os resultados de alunos com características profundamente diferentes, com resultados cujo comportamento estatístico é tão desigual na determinação de uma média, gera um valor sem qualquer significado, estatístico ou outro», que não deve de ser utilizado, diz o IAVE.