A presidente da Associação de Professores de Matemática (APM) voltou esta sexta-feira a criticar a existência de exames no 4.º e 6.º anos de escolaridade e atribuiu a descida nos resultados à «estrutura da prova», demasiado centrada no cálculo.

«A descida de resultados, nomeadamente no segundo ciclo, prende-se, sobretudo, com a estrutura da prova. Era uma prova com cerca de 80 por cento de cálculo, mesmo quando o que se pretendia avaliar não era o cálculo, mas eram outros conteúdos. O cálculo condicionou a realização de vários dos itens de uma forma desequilibrada», afirmou Lurdes Figueiral, que não ficou surpreendida com os resultados.

Além disso, disse dirigente da APM, «também no 6.º ano são utilizadas grandezas numéricas absurdas para o tipo de exercício que se pretendia e também para o tipo de instrumento que utilizavam, no caso uma máquina de calcular básica».

«Mas foi, sobretudo, esse peso excessivo do cálculo que tornou a prova desadequada, porque os alunos ao fazerem os cálculos e as contas acabavam por perder o sentido do exercício que estavam a resolver», frisou.

A Associação de Professores de Matemática defende «que se volte a pensar seriamente - com base naquilo que é a nossa experiência de muitos anos, com base naquilo que é a experiência internacional e também com base nos estudos e investigações em educação ¿ em retirar estas provas de avaliação».

A presidente da Associação de Professores de Matemática considera, por isso, «um absurdo» a realização de exames nestes níveis de ensino, porque «só vem perturbar um funcionamento equilibrado do ano letivo e das aprendizagens dos alunos».