O autarca de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, defendeu esta terça-feira que as viaturas de emergência devem ter 100% de operacionalidade no interior do país, porque podem ser «a diferença entre a vida e a morte».

«A VMER [Viatura Médica de Emergência e Reanimação] tem de ter 100% de taxa de operacionalidade, porque é o último recurso que nós temos», disse à agência Lusa, lembrando que o Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) fica «a 45 minutos de distância» do seu concelho.

VMER de Évora de novo parada

Por isso, em «situações dramáticas» como acidentes de viação graves, a VMER do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) adstrita ao HESE, tal como as outras VMER do interior do país, «pode ser a diferença entre a vida e a morte», frisou.

«Tudo o que não resultar nessa taxa de operacionalidade, eventualmente, significa alguma poupança em Proteção Civil e isso não pode acontecer», porque nessa área «não se pode poupar para além dos gastos absolutamente necessários», afiançou.

O presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz (PS) falava à Lusa na sequência do acidente, com dois mortos, ocorrido naquele concelho, no domingo à noite, numa altura em que a VMER do Hospital de Évora esteve indisponível.

Na segunda-feira, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo justificou a inoperacionalidade do meio de emergência com «motivos de doença de um profissional escalado».

Contudo, os serviços regionais do Ministério da Saúde argumentaram que o socorro às vítimas «foi efetivamente prestado», através dos Bombeiros Voluntários de Reguengos de Monsaraz.

Segundo a ARS, a taxa de operacionalidade da VMER de Évora «tem estado, desde o início do ano, assegurada acima dos 90%».

A VMER de Évora está hoje novamente parada, desde as 08:00 e até às 16:00, por falta de recursos humanos, disse à Lusa fonte do HESE, referindo que o INEM «está informado» e «tem outros meios disponíveis na região».

Há pouco mais de três meses, no dia 25 de dezembro de 2013, a VMER de Évora também estava inoperacional quando um acidente entre Évora e Montemor-o-Novo, que envolveu dois automóveis e um cavalo, provocou quatro mortos e quatro feridos graves.

O presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz lembrou hoje que as VMER fazem parte do sistema nacional de emergência médica e que resultaram de «uma otimização de recursos» de Saúde.

«Preferíamos ter um Serviço de Urgência Básico (SUB) em Reguengos de Monsaraz, como temos vindo a defender junto dos sucessivos ministros da Saúde, mas, não sendo possível, existe uma VMER«, a qual «tem que ter 100% de operacionalidade», insistiu o autarca.

E, na região de Évora, aludiu, «já são dois casos» de acidentes rodoviários com vítimas mortais quando a VMER não está a funcionar, o que exige «reflexão».

«Se há um técnico de saúde que está doente», o que é normal que possa acontecer, «tem que haver outro que o substitua de imediato», afirmou, insistindo: «A falta destes técnicos ou alguma inoperacionalidade deste meio reflete-se em situações dramáticas».

No que toca às VMER, o INEM disponibiliza as viaturas e assegura a formação dos tripulantes, enquanto os pagamentos e disponibilidade de recursos humanos estão a cargo dos hospitais.