Os idosos portugueses são dos que menos morrem em acidentes, mas estão entre os que mais se suicidam, segundo dados sobre as causas de morte em maiores de 65 anos na União Europeia, divulgados nesta quinta-feira.

Portugal é o segundo país com menos mortes por acidente nesta faixa etária, tendo registado 98 mortes (66 de homens e 32 mulheres) por 100 mil habitantes, segundo os dados de 2010 do gabinete de estatística da União Europeia (Eurostat).

Melhor que Portugal, apenas a Bulgária, que registou 89 mortes de idosos por acidente.

Os acidentes eram em 2010 a causa externa (que não doença) mais frequente para a morte de idosos, situando-se a taxa média europeia em 103 mortes (121 homens e 82 mulheres) por 100 mil habitantes.

A Croácia (com 408 mortes) e Eslovénia (com 383 mortes) são os países que apresentam as piores taxas de morte de idosos por acidentes nos 28 países da União Europeia.

Entre as principais causas de morte por doença surgem as doenças circulatórias como enfartes ou acidentes vasculares cerebrais (1.931 mortes por 100 mil habitantes em 2010) e os cancros (1.075 mortes por 100 mil habitantes).

As doenças respiratórias (378 mortes por 100 mil habitantes), do aparelho digestivo (177 mortes), do sistema nervoso (154 mortes) e as causas externas como acidentes e suicídios (125 mortes) constituíam outras causas principais para a morte nesta faixa etária.

No caso dos cancros, Portugal tem a 5.ª menor taxa de morte por esta doença nas mulheres (633 mortes) e a 10.ª (1.379 mortes) nos homens.

Dentro dos cancros, os homens idosos morrem sobretudo de cancro do pulmão (com 223 mortes em cada 100 mil habitantes) e as mulheres de cancro da mama (88 mortes).

Na União Europeia, a taxa média de mortalidade devido ao cancro era quase duas vezes mais elevada para os homens do que para as mulheres (1.456 mortes contra 764 por 100 mil habitantes).

As taxas mais elevadas para os homens registam-se na Estónia (1.973 mortes), na Croácia (1.933) e na Eslovénia (1.878 mortes) e para as mulheres na Dinamarca (1.053 mortes em 2009), Irlanda (966) e Eslovénia (954).

Tanto para homens como para mulheres as taxas mais baixas registam-se na Bulgária (1.069 homens e 532 mulheres) e no Chipre (1.098 para os homens e 590 para as mulheres).

Relativamente aos enfartes de miocárdio, Portugal registava 287 mortes de homens e 174 de mulheres por 100 mil habitantes, a 4.ª menor taxa de morte nos homens e 7.ª menor nas mulheres ex-aqueo com a Eslovénia.

Os franceses (168 homens e 85 mulheres) e os espanhóis (258 homens e 138 mulheres) são os idosos europeus que menos morrem por enfarte do miocárdio.

No extremo oposto, está a Roménia (618 mortes) que têm as piores taxas de mortalidade entre homens (618) e mulheres (412). A Finlândia (596 mortes) regista a segunda pior taxa de mortalidade nos homens e Malta regista a pior taxa nas mulheres (455).

Portugal apresenta ainda a 10.ª maior taxa de suicídios entre idosos, com um registo de 56 mortes (47 homens e 9 mulheres) por 100 mil habitantes com 65 ou mais anos, acima de média europeia que é de 39 mortes.

A Hungria (103 mortes), a Croácia (90 mortes) e a Eslovénia (86 mortes) são os países com as piores taxas de suicídio de idosos.

A Grécia (10 mortes), a Irlanda (12 mortes) e o Chipre (13 mortes) registam as taxas de suicídio mais baixas.

O estudo adianta que o suicídio é a causa menos frequente de morte entre os idosos europeus, mas ressalva que as taxas registadas podem refletir as dificuldades de um inquérito sobre este assunto.