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Deputados europeus pouco honestos

«News of the World» espiou eurodeputados de diversos países e descobriu que às sextas-feiras, em dia extra, passam pelas instituições europeias já de malas aviadas para os seus destinos de origem

Por: Redacção  |  9- 3- 2011  20: 31

Sociedade

O jornal britânico «News of the World» fez uma curiosa reportagem com vários eurodeputados dos mais diversos países, entre eles a portuguesa Ilda Figueiredo.

Registou as horas em que em Bruxelas ou Estrasburgo, os eurodeputados compareceram nas respectivas instituições já com as malas prontos para regressarem aos seus países de origem, o que fazem passado muito pouco tempo.

O jornal teve uma cúmplice nesta pesquisa, a eurodeputada britânica Nikki Sinclaire, irritada com os abusos dos deputados que ganham cerca de 80 mil libras anuais mais despesas, a que acrescentam os ganhos adicionais do trabalho à sexta.

Na prática, o que o jornal descobriu é que os eurodeputados andam em permanente trânsito, chegando ao Parlamento Europeu em Estrasburgo, ou à Comissão Europeia em Bruxelas, por exemplo, muitas vezes em cima da hora e só aí permanecem o tempo estritamente necessário para assinarem o ponto e pouco mais.

Dos 160 eurodeputados investigados, mais de 50 andavam de malas feitas.

Dois eurodeputados britânicos chegam a Bruxelas por volta das oito horas, têm uma reunião do Eurostar às oito e meia, e por volta das dez estão na estação londrina de St. Pancras; um eurodeputado espanhol passa pelo gabinete pelas nove e cinquenta, e seis e às dez e vinte já está no aeroporto; um eurodeputado polaco regista o seu login nos serviços às sete e cinquenta e oito, vinte e dois minutos depois está no aeroporto de Bruxelas pronto para voar para casa.

Existem 134 dias de actividade parlamentar oficial - que não inclui sextas-feiras. Trabalhar nesse dia implica um pagamento extra, daí a importância de quaisquer minutos passados nas instituições de Bruxelas e Estrasburgo nesse dia.

A eurodeputada do PCP, Ilda Figueiredo, não foge a esta regra. É apanhada quando passa pelo Parlamento às oito e vinte e às dez horas e quatro minutos está de partida.

Confrontada com esta investigação, Ilda Figueiredo respondeu que cabe ao Parlamento determinar aquilo a que ela tem ou não tem direito.

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