A imigração passou a ser principal preocupação na União Europeia (UE), a par do desemprego, segundo o Eurobarómetro de outono, publicado hoje pela Comissão Europeia, e que mostrou ainda o receio crescente devido ao terrorismo.

Os primeiros resultados do Eurobarómetro à opinião pública mostraram que a imigração foi referida por 58% dos europeus, mais 20 pontos percentuais em relação ao anterior relatório da primavera.

Portugal é o primeiro país entre os inquiridos a nomear maior preocupação com as contas públicas nacionais (38%). A imigração é o segundo assunto mais citado pelos portugueses (31%), seguindo-se o desemprego (25%).

Nos problemas a nível nacional, os portugueses enumeram o desemprego (62%), a situação económica (35%) e a dívida pública (22%) e foram ultrapassados apenas pelos gregos (95%) na avaliação negativa da economia do seu país. No lado contrário, estão alemães (86%), malteses e luxemburgueses (85%).

No geral, os europeus enumeraram como preocupações principais o terrorismo (25%), a situação económica (19%), o desemprego (17%) e o estado das finanças públicas dos Estados-membros (17%).

O impacto da crise no emprego fez uma escassa maioria achar que "o pior ainda está para vir" (37% em Portugal), enquanto 44% pensa que já se atingiu o pico (54% dos portugueses).

A maioria dos europeus pensa que a situação económica vai permanecer a mesma em 2016 e mais de metade apoia o euro e a União Económica e Monetária.

O relatório revela o apoio de 53% dos europeus ao acordo de comércio e investimento entre a UE e os Estados Unidos e que 64% dos inquiridos se assumem como cidadãos da UE (72% em Portugal).

A imagem da UE passou a ser “essencialmente neutra” (38%), tendo havido um aumento da imagem negativa para 23%. Em Portugal, 42% dos inquiridos respondeu ter opinião positiva (a mesma percentagem da primavera) e 15% negativa (menos dois pontos percentuais que na primavera).

Em geral, a proporção de cidadãos da UE que tende a não confiar no espaço comunitário aumentou para 55%, enquanto as percentagens em relação aos parlamentos nacionais e aos governos nacionais foram de 64% e 66%, respetivamente. A confiança na UE (28%) continuou ligeiramente mais elevada que nas instituições políticas nacionais (27%).

Mais de metade dos europeus respondeu que a sua opinião não conta na UE (54%), principalmente gregos (83%) e cipriotas (81%), enquanto em Portugal essa posição foi manifestada por 58% dos inquiridos.

O otimismo sobre o futuro da UE perdeu algum terreno, para se fixar nos 53%. O pessimismo esteve nos 41% e ultrapassou, pela primeira vez desde o outono de 2013, a fasquia dos 40%. Entre os portugueses houve 57% otimistas.

O inquérito foi feito entre 07 e 27 de novembro em 34 países ou territórios: nos 28 Estados-membros da UE, nos cinco candidatos à adesão (antiga República jugoslava da Macedónia, Turquia, Montenegro, Sérvia e Albânia) e no norte do Chipre controlado pela Turquia.

Este Eurobarómetro foi realizado poucos dias depois da divulgação das previsões económicas de outono, que apontaram para a recuperação económica e para a tendência de diminuição do desemprego, e após o agravamento da crise dos refugiados e dos ataques terroristas de 13 de novembro em Paris em que morreram 130 pessoas.

Os autores notaram também terem ocorrido eleições nacionais na Letónia, Dinamarca, Grécia, Portugal, Polónia e Croácia.