Por: tvi24 / CP | 26- 3- 2010 17: 23
Um juiz do Tribunal Superior britânico classificou esta sexta-feira como «vergonhoso» o caso do pedido de extradição para
Portugal de que é alvo um adepto de futebol britânico considerado culpado de distúrbios durante o Euro2004, escreve a Lusa.
Alan
Moses, um dos mais reconhecidos juízes do Tribunal de Superior (High Court), lamentou a atitude da justiça portuguesa perante
um caso que se arrasta há vários anos. «Não haverá ninguém das autoridades judiciais portuguesas que se disponha a falar por
videoconferência», questionou, aborrecido.
Na opinião do magistrado, este é um «caso para pessoas adultas resolverem»
por estar «em causa a vida de uma pessoa».
Gary Mann é objecto de um mandado de detenção europeu emitido em 2008
relativo a uma sentença por envolvimento em distúrbios em Albufeira em 2004, o que o antigo bombeiro desmente.
O
adepto britânico foi detido a 15 de Junho de 2004, julgado e considerado culpado no dia seguinte e aceitou voluntariamente
a deportação para o Reino Unido convencido de que a sentença seria suspensa.
A extradição só foi pedida quatro anos
depois da deportação, após as autoridades portuguesas se aperceberem de que, nos termos da Convenção do Conselho Europeu sobre
a transferência de prisioneiros, Mann não podia ser encarcerado no Reino Unido sem ter iniciado o cumprimento da sentença
em Portugal.
De volta ao Reino Unido, um juiz britânico recusou, em 2005, impor uma ordem de interdição à presença
em jogos de futebol por considerar que o julgamento em Portugal não respeitou os direitos humanos.
Mann sempre
negou envolvimento nos distúrbios, alegando que estava com amigos noutro bar perto de onde os distúrbios com outros adeptos
britânicos foram registados.
O tribunal de magistrados de Westminster deferiu, em Agosto de 2009, o mandado, mas
os advogados do cidadão britânico têm tentado, por meio de vários recursos, anular a decisão.
A audiência desta sexta-feira
dizia respeito a um requerimento para ser realizada uma revisão judicial, mas o juiz negou provimento, manifestamente contrariado,
por «falta de jurisdição».
Gary Mann vai agora apresentar recurso junto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos,
com um requerimento para a extradição ser suspensa até ser conhecida a decisão.
Na base da argumentação está a falta
de um julgamento justo, nomeadamente a falta de assistência jurídica adequada, problemas com a tradução e a rapidez dos procedimentos.
Gary
Mann foi a tribunal no espaço de 24 horas, defendido por um advogado que representava 12 arguidos ao mesmo tempo e com tradução
de «fraca qualidade», enfatizou a organização Fair Trials, que está a fazer campanha pelo britânico.
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