A Quercus faz um balanço positivo da cimeira da ONU sobre clima e, embora sem anúncios a mostrar a inversão da emissão de gases com efeito de estufa, «parece haver vontade» de avançar no encontro de Paris, em 2015.

«Foi uma cimeira que podemos classificar como positiva», disse à agência Lusa Francisco Ferreira, da Quercus, a partir de Nova Iorque, onde acompanhou a cimeira das Nações Unidas sobre as alterações climáticas.

«Não houve propriamente uma revolução, não se fizeram anúncios que mostrem estarmos já a inverter o curso da história no que respeita aos impactos das alterações climáticas e principalmente às emissões de gases com efeito de estufa, mas é um facto que tivemos sinais interessantes, importantes de alguns países onde o discurso mudou», explicou o ambientalista.

Do balanço feito pela Quercus, «foi uma cimeira que, ao elevar a fasquia alto, porque convocou chefes de Estado e de governo, não foi uma falsa partida, foi uma partida a sério para um caminho até um acordo no final de dezembro de 2015, mas que tem ainda muito que construir».

Para a organização de defesa do ambiente, os casos das intervenções dos líderes dos EUA e da China, maiores emissores de gases com efeito de estufa, «foram muito significativos».

Os dois países reconheceram que têm de ter um papel fundamental e que a assinatura de um acordo para lutar contra o aquecimento global «é vital», acordo que, «na opinião dos EUA, deve ser ambicioso, inclusivo, flexível, e com a China a concordar com as responsabilidades diferenciadas de cada país», segundo Francisco Ferreira.

No entanto, lamentou que estes dois países não tivessem apresentado números para quantificar o seu comprometimento.

Alguns anúncios desiludiram os ambientalistas, como o caso do Reino Unido, que considerou que uma política de baixo carbono deve ser realizada com base no nuclear, em centrais a carvão com uma tecnologia «difícil de vir a ser viável», na captura e armazenamento de carbono ou no uso de gás de xisto.

Quanto à União Europeia, esteve «relativamente apagada», apesar de ser líder dentro dos países desenvolvidos no que respeita à redução da emissão de gases com efeito de estufa, «não tendo o protagonismo político que se esperava».

«Do ponto de vista negocial, com a conferência de Lima dentro de dois meses, não vai ser fácil e o espírito de abertura e de reconhecimento» da necessidade de medidas poderá «não ser refletido nos compromissos e nas ações a tomar desde já», resumiu Francisco Ferreira.

Na reunião dos responsáveis políticos mundiais, onde esteve o ministro do Ambiente português, as Nações Unidas, através do seu secretário-geral, anunciaram o financiamento de cerca de 200.000 milhões de euros até 2015 na área das alterações climáticas, salientou ainda.

Os líderes políticos foram convocados para tentar compromissos de preparação para chegar a um acordo em Dezembro de 2015, na cimeira de Paris, para a redução de emissões de gases com efeito de estufa de modo a desacelerar o aquecimento do planeta e evitar as consequências das alterações do clima.