Quase metade (45,2%) num estudo do Observatório das Famílias e das Políticas de Família (OFAP) dos inquiridos considera que um casal de mulheres pode criar um filho tão bem como um casal heterossexual, número que desce para 39,7% no caso de um casal de homens.

Observam-se significativas fraturas em termos de género e escalão etário, sendo as mulheres e os indivíduos mais jovens genericamente mais inclusivos: 70,5% das mulheres e 55,2% dos homens com 18-29 anos concordam que duas mulheres podem criar uma criança tão bem quanto um casal heterossexual”, refere o estudo.

Em relação aos casais do sexo masculino, as opiniões são mais desfavoráveis, sendo que “a atitude menos favorável” resulta, sobretudo, de “uma forte rejeição, por parte dos indivíduos mais velhos, da ideia que dois homens juntos possam criar tão bem um filho como um casal heterossexual”.

Na base desta rejeição parece estar “uma conceção tradicional dos papéis de género na família, em que cabe à mãe o papel de principal educadora e cuidadora dos filhos”, refere o inquérito, que envolveu uma amostra de 1.001 pessoas residentes em Portugal com 18 ou mais anos.

Segundo os dados, quase metade (47,1%) dos inquiridos considera que um pai sozinho ou uma mãe sozinha pode criar um filho tão bem quanto os dois juntos.

Já quase 39% distanciam-se desta opinião, refere o estudo, que analisou as atitudes dos portugueses face às famílias monoparentais e de casais do mesmo sexo, tendo com base os resultados do ISSP – Family and Changing Gender Roles 2014.

São as mulheres, sobretudo as mais jovens, que mais concordam com essa afirmação, ao passo que são os homens, sobretudo os mais velhos, que menos concordam”, adianta o estudo “Vida familiar e papéis de género: Atitude dos portugueses em 2014”.

A investigação abordou também os efeitos da introdução de um bónus de mais 30 dias de licença parental, se o pai e a mãe partilharem entre si a licença parental inicial.

A maioria dos inquiridos concorda com a introdução da partilha da licença parental entre pai e mãe (58,3%) e com a extensão da licença parental inicial exclusiva do pai (61,3%).

“São os homens e os indivíduos mais jovens que revelam uma atitude mais favorável à introdução deste tipo de medidas, indo assim ao encontro dos novos ideais de vida familiar, pautados por uma maior partilha das responsabilidades parentais entre os progenitores”, afirma o relatório.

O estudo analisou também a participação masculina na vida familiar, com 83,6% dos inquiridos a concordar com a afirmação: “Os homens deviam participar mais nas tarefas domésticas do que participam atualmente”.

Mais de metade dos inquiridos (56,7%) reconhece que os homens têm capacidade para participar nos cuidados às crianças pequenas, concordando com a afirmação “O pai é tão capaz como a mãe de tomar conta de um bebé com menos de um ano”.

De acordo com o relatório, esta atitude é mais comum em inquiridos mais jovens, com idade entre os 18 e os 44 anos. Por outro lado, são as mulheres no escalão etário 30-44 anos que mais concordam com esta afirmação (76,6%).