Ao mesmo tempo que os Governos querem manter por mais tempo os mais velhos no mercado, cortam nos apoios e prestações às famílias. É a conclusão de um estudo da Fundação Gulbenkian que analisou traçou o perfil dos avós em doze países da Europa.

Nesta reportagem da TVI conhecem-se avós, netos e filhos. Três gerações ligadas como sempre e para sempre.

Serão estes avós modernos uma fotocópia dos avós que vemos nos retratos ainda a preto e branco nos álbuns de família? Um estudo da Fundação Caloust Gulbenkian traçou o perfil dos avós em doze países da Europa e a resposta é não, são diferentes.

O envelhecimento da população, o maior número de mães no mercado de trabalho, o aumento dos divórcios ou de ruturas nas relações conjugais indicam que os avós desempenham um papel fundamental na estrutura familiar e quanto mais jovens forem os pais mais intensivos e regulares são os cuidados prestados pelos avós.

Segundo o mesmo estudo, a prestação de cuidados aos netos está a ter efeitos devastadores nas poupanças dos mais velhos e a comprometer as próprias reformas. Em onze países europeus, quase metade dos avós prestam cuidam aos netos, um papel quase invisível para os governos, mas vital para os pais e mães dos nossos dias.

As limitações impostas às prestações sociais pagas aos pais e às mães que ficam em casa a cuidar dos filhos, as poucas oportunidades de trabalhar a tempo parcial e a escassa oferta de estruturas de acolhimento de crianças a preços acessíveis, levam a uma maior dependência das famílias.

Ao mesmo tempo as políticas europeias incentivam os mais velhos a permanecerem mais tempo no mercado de trabalho de forma a financiarem as suas próprias pensões, cuidados de saúde e assistência social.

Daqui a duas décadas um quarto dos europeus terá mais de 65 anos, com certeza estará a trabalhar e verá comprometido o papel de avós, a menos que seja um dos eleitos.

O estudo da Gulbenkian estabelece uma relação direta entre dinheiro e a prestação de cuidados pelos avós. Nas classes socias mais altas existe uma maior probabilidade de conciliar os netos com uma ocupação remunerada.