Os jovens portugueses estão mais insatisfeitos com a democracia do que 2007 e atualmente mais de 57% dos jovens entre os 15 e os 24 anos não revela qualquer interesse em política, de acordo com um estudo hoje divulgado.

Intitulado "Emprego, Mobilidade, Política e Lazer: situações e atitudes dos jovens portugueses numa perspectiva comparada", o estudo encomendado pela Presidência da República está dividido em quatro partes, correspondendo uma delas às atitudes dos jovens perante a política e onde se faz uma comparação com os resultados obtidos em 2007 num estudo sobre "Jovens e Política".

Relativamente à satisfação com a democracia, em 2015 apenas 17,3% dos jovens entre os 15 e os 34 anos consideram que a democracia funciona bem em Portugal.

Apesar desta percentagem estar ligeiramente acima da média do país (16,6%), comparando com os dados de 2007 verifica-se uma "grande quebra na satisfação com a democracia operada em Portugal nos últimos sete anos", como é indicado no relatório do estudo hoje apresentado na Fundação Champalimaud, em Lisboa, e que foi elaborado por Marina Costa Lobo, Vítor Sérgio Ferreira e Jussara Rowland, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Enquanto em 2007 cerca de um terço dos jovens considerava que a democracia funcionava bem, a percentagem desceu para cerca de metade desse valor em 2015.

Quanto aos jovens agora inquiridos que responderam que a democracia funciona mal, a percentagem oscila entre os 41% (15-24 anos) e os 52,2% (25-34 anos). Pouco mais de 20% dos jovens respondeu que não funcionava "nem bem nem mal".

Por outro lado, no ‘capítulo' dedicado ao interesse pela política e identificação partidária, 57,3% dos mais jovens entre 15 e 24 anos revelaram não ter nenhum interesse em política, enquanto apenas 8% afirmam ter bastante interesse em política.

Segundo o estudo, apenas 21,9% dos jovens (15-24 anos) afirma ter simpatia por um partido, percentagem que é cerca do dobro entre os jovens adultos (24-35 anos).

Quanto à exposição aos media, o estudo indica que os jovens entre os 15 e os 24 anos são aqueles que menos procuram notícias sobre política seja nos jornais, televisão ou rádio.

Relativamente à participação cívica e política, o estudo revela uma "uma diminuição de mais de dois terços na participação cívica", com a taxa média de participação entre os jovens (entre os 15 e os 24 anos) e os jovens adultos (entre os 25 e os 34 anos) a descer de 9% em 2007 para 3% em 2015.

Sobre a pertença a partidos políticos, os autores do estudo falam em "valores objetivamente muito baixos", que oscilam entre 1 e 2,7%.

Quanto aos tipos de atividade política já exercidas, 6,6% dos jovens entre os 15 e os 24 por cento responderam "assinar uma petição", seguido de dar dinheiro ou recolher fundos para uma atividade social ou política (6,2%).

"Não existe qualquer tipo de participação social ou política em que os mais jovens estejam acima da média nacional, que é sintomático de uma falta de envolvimento político", lê-se no relatório do estudo.


Além disso, os jovens tendem a participar significativamente menos em comícios partidários ou manifestações políticas, do que qualquer outra faixa etária e apenas pouco mais de 1% utiliza a internet para discutir política em fóruns e blogues.

"Quando comparamos os valores apresentados para a participação política tradicional em 2007, verificamos uma muito substancial diminuição em todas as dimensões que é transversal a toda a sociedade portuguesa", é referido no relatório.


Apesar da baixa participação política, os mais ‘ativistas' são os jovens mais escolarizados, desempregados, indivíduos de esquerda e aqueles que têm identificação partidária.

Quanto à eficácia da participação política apenas duas ações políticas são consideradas eficazes pelos jovens: colaborar com organizações ou associações voluntárias e votar nas eleições.

O inquérito em que se baseia o estudo foi realizado entre 6 e 17 de março e a amostra integrou uma componente base de 1254 entrevistas, complementada com um ‘boost' de 358 entrevistas a inquiridos entre os 15 e os 34 anos. A amostra total foi, assim, constituída por 1612 entrevistas.