As crianças portuguesas passam demasiado tempo em frente à televisão e ao computador, potenciando o sedentarismo e aumentando o risco de obesidade infantil. O problema é maior em famílias de níveis socio-económicos mais baixos. Em Portugal, 35 por cento das crianças de famílias com um nível socio-económico mais elevado têm televisão no quarto. Se olharmos para famílias com um nível socio-económico mais baixo, o número é ainda mais alarmante – 74%.
 
Os dados constam de um relatório da EPHE (EPODE for the Promotion of Helth Equity) sobre a obesidade nas crianças. O estudo começou em 2012 e dura até 2015 e está a analisar crianças entre os seis e os nove anos na Bélgica, Bulgária, França, Grécia, Holanda, Portugal e Roménia. Em Portugal, o estudo debruça-se sobre as crianças da cidade da Maia.
 
De acordo com o estudo, em média, as crianças europeias passam 30 minutos por dia durante a semana e cerca de uma hora por dia nos fins de semana ao computador. Em média, as crianças portuguesas passam mais de 2,5 horas por dia em frente à televisão ou ao computador.
 
A implementação do projeto EPHE em Portugal está a cargo da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto e conta também com a parceria da Direção-Geral da saúde, no âmbito do seu Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. O nível socio-económico foi medido pelo nível de escolaridade de ambos os pais, pela situação profissional e pela posição face ao rendimento. O nível de escolaridade da mãe foi selecionada como a variável socio-económica que melhor previa o estatuto socioe-conómico parental em toda a amostra deste estudo.