A presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida disse hoje estar «chocada» com os resultados de um estudo que mostra o pouco conhecimento da população sobre a doença, defendendo a continuação de campanhas de informação.

Trinta anos após o primeiro caso de Sida em Portugal, o estudo «VIH: 30 Anos, 30 Mitos», encomendado por um laboratório e realizado por uma empresa de estudos de mercado, mostrou que um em cada cinco portugueses inquiridos considera que a infeção se pode transmitir pelo beijo e atinge sobretudo os homossexuais, o que não é verdade.

«Enquanto representante da Liga fico chocada porque continua a haver um desinvestimento na informação e formação dos mais jovens e dos menos jovens», afirmou Maria Eugénia Saraiva.

Este desinvestimento «leva a que, na realidade, continue a haver uma perceção de que a transmissão do VIH [vírus da imunodeficiência humana] se faz, por exemplo, através da picada de um insecto, porque mais de 50% [dos inquiridos] assim o referiram», disse.

«Há determinadas perceções incorretas sobre o VIH/Sida que nos tocam em particular, nomeadamente no que diz respeito a que essa infeção atinja mais grupos vulneráveis ao risco e não toda a população», sublinhou a responsável.

Esta infeção «não tem cura, que tem uma vacina que se chama só a utilização consistente do preservativo, ou seja, não tem vacina», afirmou, acrescentando que tem havido bastante sucesso na terapeutica antiretroviral, mas que é preciso continuar a apostar na informação e na formação.

«Temos que ter esta temática na agenda politica e uma boa articulação entre os ministérios da Saúde e da Educação», em termos de campanhas de educação e promoção para a saúde.

Maria Eugénia Saraiva considerou que este estudo se traduz em vários números que não surpreendem a Liga Portuguesa Contra a Sida, que está diariamente no terreno, fala com as pessoas e sabe as respostas que elas têm em relação à mudança de comportamentos e mentalidades.

«Continuamos a lutar para que esta desinformação e a banalidade com que se fala desta infeção não caia no esquecimento de todos, porque a doença poderá chegar a todos, de A a Z, porque é altamente democrática», alertou.

O não uso consistente do preservativo é outra situação que tem preocupado a Liga, ao longo de 24 anos de trabalho, tal como é relatado pelos números deste estudo, disse.

A presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida destacou que as pessoas conhecem as vias de transmissão, mas sublinhou que a gestão dessa informação «é mais complicada e tem a ver com as crenças, as vivências».

«Temos de colocar esta infeção na agenda política, continuar a dar informação, não ocasionalmente nem pontualmente, nas escolas, mas falando com os jovens para que saibam que é necessária uma proteção eficaz com o uso consistente do preservativo», declarou.

Maria Eugénia Saraiva defendeu a existência de mais campanhas, mais alertas para sublinhar que esta não é uma doença que só atinge determinado tipo de população.

O estudo contou com as respostas de 600 pessoas, inquiridas no final do ano passado.