O consumo energético dos frigoríficos vendidos em Portugal está acima da média europeia, devido à mais baixa eficiência, mas, em 10 anos, os custos destes equipamentos desceram 22%, concluiu um estudo internacional divulgado esta quarta-feira.

"Nos frigoríficos, o consumo de energia caiu 25% em 10 anos na União Europeia (UE), mas Portugal tem valores anuais bem acima da média” registada na Europa, e os portugueses “escolhem mal” quando compram estes aparelhos, refere um trabalho desenvolvido pelo projeto TopTen, que tem a participação da Quercus, pela ADEME (agência do ambiente francesa) e pela organização internacional de defesa do ambiente WWF Suíça.


O estudo analisou os 25 países da UE entre 2004 e 2014, e comparou Portugal e França, retratando as escolhas dos consumidores em termos de eficiência energética de eletrodomésticos, como frigoríficos ou máquinas de lavar roupa, e pretendeu demonstrar “a importância da monitorização do mercado na avaliação das políticas”.

Também foram comparadas máquinas de lavar roupa e, em Portugal, apesar de estas serem mais eficientes, “têm um consumo energético médio maior que em França, por serem de maior capacidade”, e secadores de roupa, área em que as vendas de aparelhos eficientes atingiram apenas 32%, menos que a média europeia (de 42%).

Numa década, o total dos custos para os consumidores, que inclui o preço de compra do frigorífico e a eletricidade, desceu 13%, para 985 euros, na UE, enquanto em Portugal a redução atingiu 22%.

Quanto ao consumo de energia, o trabalho aponta que os aparelhos de frio vendidos em Portugal consomem mais 15 quilowatts por hora e por ano relativamente à média europeia.

A principal razão para esta diferença relaciona-se com “uma menor eficiência energética e, provavelmente, com a maior dimensão dos compartimentos de congelação”, explica o documento.

Os ambientalistas salientam que o aumento da eficiência dos frigoríficos pode ainda assegurar “um grande potencial” de poupança de eletricidade para a Europa.

Se em 2014, se tivessem vendido frigoríficos de classe A++ em vez de classe inferior, “Portugal teria conseguido uma poupança acrescida de 194 gigawatts por hora (GWh)” ao longo da vida útil destes eletrodomésticos.

Acerca das máquinas de lavar roupa, o estudo não encontrou qualquer “correlação clara” entre as classes de eficiência e o baixo consumo de energia.

“Apesar de serem mais eficientes, as máquinas de lavar portuguesas têm um consumo energético médio maior do que as máquinas vendidas na UE e na França e a razão é serem de maior capacidade”.


Em 2014, três anos após a introdução da nova etiqueta, cerca de metade das máquinas de lavar roupa vendidas eram de classe energética superior (A+++) e os ambientalistas defendem ser necessário definir novas e melhores classes de eficiência na etiqueta energética e rever a fórmula de cálculo utilizada.

O estudo considera que, atualmente, “tudo indica que as máquinas de lavar são mais eficientes por serem maiores e não porque consumirem menos energia”.

O mercado dos secadores de roupa na UE é caracterizado pela alta eficiência, segundo a análise internacional, e as bombas de calor permitem consumir menos metade da energia que os equipamentos convencionais.

Em Portugal, este tipo de equipamentos tem uma procura baixa devido ao clima, mas, se todos os aparelhos vendidos fossem de classe energética A+ ou superior, seria obtida uma “poupança acrescida de 90 GWh, considerando o total do seu tempo médio de vida”, garante o documento.

O preço de um equipamento com bomba de calor é 64% mais alto que secadores de classe B (menos eficientes), porém, apesar dos preços de compra mais elevados, aqueles “compensam o investimento inicial, quando se consideram os custos totais”, ou seja, o preço de compra e os custos de eletricidade.