Os jornais são as fontes de notícias que os portugueses mais consultam através da Internet, de acordo com o estudo do regulador ERC sobre 'Públicos e Consumos de Media' divulgado esta terça-feira.

"Os jornais impressos são os meios noticiosos cujo índice de consulta através da Internet é amplamente superior ao índice de consulta exclusivamente 'offline'", adianta o estudo desenvolvido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), com base num inquérito nacional.


"Veja-se, por exemplo, o caso do Jornal de Notícias, a propósito do qual 84% dos inquiridos afirmam que utilizam a Internet para aceder a notícias deste jornal contra os restantes 16% que o fazem apenas em papel", aponta.

"Esta tendência verifica-se, ainda que em diferentes proporções, para todos os restantes", no entanto, tal "sucede apenas com órgãos de imprensa, à exceção do canal Económico TV, cuja utilização como fonte noticiosa 'online' é também francamente superior à sua utilização exclusiva em modo 'offline'", lê-se no estudo.


Segundo o documento, "estes dados ilustram bem o impacto do digital, em particular sobre os jornais, sugerindo que os processos de migração para o 'online' são absolutamente incontornáveis e cada vez mais decisivos".

O estudo 'ERC - Públicos e Consumos de Media' considera que, face a estes resultados, "os jornais impressos (e em particular as suas marcas de origem em papel) detêm um potencial de agregação de públicos em plataformas digitais muito superior ao dos restantes meios tradicionais".

As entrevistas que estão na origem da elaboração do estudo foram realizadas entre 20 de setembro e 12 de outubro do ano passado.

No segmento da imprensa, relativamente às fontes mais utilizadas pelos inquiridos na semana anterior à realização das entrevistas, o Jornal de Notícias e o Correio da Manhã destacaram-se, com 44% e 34% dos inquiridos, respetivamente, a identificarem os diários como os meios a que recorreram para obter notícias, seguidos do Público (16%), Diário de Notícias (14%) e jornal i (2%).

Nos semanários, o Expresso foi apontado por 7%, seguido da Visão (4%), do Sol (2%) e da Sábado (2%).

"Os jornais exclusivamente 'online' registam baixos índices de frequência: Notícias ao Minuto (4%), Expresso Diário (2%), Observador (2%), Dinheiro Vivo e Diário Digital (ambos 1%)", adianta o estudo.


Relativamente ao segmento televisão, "a SIC foi identificada como fonte noticiosa mais utilizada entre as televisões (68%), seguindo-se a TVI (63%) e a RTP1 (42%)", enquanto a RTP2 "é identificada por 12% dos inquiridos".

Dos canais de notícias, a SIC Notícias lidera, seguida da TVI24 e da RTP Informação.

"Entre as televisões, são os canais temáticos de informação que os inquiridos mais utilizam na Internet para consumir notícias", mas em termos globais "o acesso a notícias de fontes televisivas através da Internet é reduzido, sugerindo-se, assim, que os canais de televisão em geral não surgem como fontes noticiosas preferenciais no espaço 'online'", refere.


Nas rádios, as três fontes noticiosas mais consultadas são a RFM (26%), a Rádio Comercial (16%) e a Rádio Renascença (11%), com a TSF e Antena 1 a registarem 7% cada.

"Verifica-se que são também poucos os utilizadores que recorrem a fontes noticiosas radiofónicas por via da Internet, em proporções ainda mais reduzidas do que sucede com a televisão", aponta o estudo.


Televisão é a principal fonte de notícias dos utilizadores de Internet​

A televisão "continua a ser o meio de comunicação mais utilizado para consumo de notícias entre os públicos portugueses", conclui o mesmo estudo.

O estudo aponta ainda que "mais de nove em cada dez inquiridos identificaram os programas televisivos noticiosos como um recurso que utilizaram para consulta de notícias (93%), durante a semana anterior à realização do inquérito, o que demonstra que este meio tradicional mantém o seu predomínio enquanto fonte noticiosa face às plataformas digitais".

As redes sociais "são o segundo recurso mais utilizado para aceder a notícias (66%), surgindo ligeiramente à frente dos jornais impressos (65%)", adianta o estudo, que acrescenta que a rádio "é identificada como fonte de notícias utilizada por mais de um quarto dos inquiridos (28%)".

A maioria dos inquiridos (66%) aponta os programas de notícias de televisão "como a mais importante fonte" de informação, pelo que "permite afirmar que a televisão mantém o seu protagonismo como principal meio noticioso, mesmo entre os utilizadores de Internet que consomem notícias 'online'", refere o documento.

Já os jornais impressos ocupam o segundo lugar relativamente à importância atribuída às fontes noticiosas, com 29% de referências, seguido das redes sociais (18%) e dos 'sites' e aplicações de jornais, com 17%.

Relativamente ao tempo diário que os inquiridos gastam no consumo de notícias, o estudo conclui que "é à televisão que os portugueses dedicam mais tempo", sendo que "mais de um terço dos inquiridos dispensou, no dia anterior à realização do questionário, mais de 60 minutos a consumir notícias televisivas (33%)".

O computador é o segundo dispositivo "utilizado durante mais tempo para consumir notícias", com quase metade (49%) dos inquiridos a consultarem informação durante mais de 21 minutos na véspera do inquérito, enquanto 20% dos inquiridos adiantou que o intervalo de tempo na consulta dos mesmos oscila entre os 10 e 20 minutos.

No que respeita ao interesse por notícias, a frequência de consulta de informação em meios 'offline', ou seja, televisão, rádio e jornais, "é superior à utilização de meios 'online'", refere o estudo, apontando que a maioria de utilizadores de Internet consulta notícias em meios 'offline' "várias horas por dia" (43%) e/ou "uma vez por dia" (30%).

De acordo com o estudo, "a frequência de consulta de notícias em meios 'online' é um pouco mais reduzida, embora a maioria dos entrevistados se revele consumidor frequente de notícias 'online': cerca de um em cada cinco dos inquiridos consulta notícias 'online' 'uma vez por dia' (21%) e cerca de um terço dos inquiridos fá-lo 'várias vezes por dia' (33%)".

Estes são os primeiros resultados do primeiro inquérito nacional realizado pela ERC - Públicos e Consumos de Media.
"A primeira edição do inquérito teve como enfoque principal os consumos de notícias em plataformas digitais, utilizando como referência o inquérito realizado pelo Reuters Institute for The Study of Journalism, no Digital News Report 2014", adianta.

O estudo contou com o apoio científico de uma equipa de investigadores do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia - Instituto Universitário de Lisboa (CIES - IUL), coordenado pelo professor Gustavo Cardoso, com a Eurosondagem responsável pela realização do inquérito nacional, com entrevistas presenciais a uma amostra de 1.035 pessoas representativa da população residente em Portugal com 15 ou mais anos.

As entrevistas foram realizadas entre 20 de setembro e 12 de outubro do ano passado.
"A análise que se desenvolve neste relatório, dada a especificidade do seu objeto", centra-se essencialmente numa subamostra constituída por 625 inquiridos, "que foram identificados no decurso da aplicação do inquérito como aqueles que utilizam Internet e que denotam algum grau de interesse pelo consumo de notícias".