Um estudo do metabolismo de células do cancro do pulmão, desenvolvido por investigadores da Universidade de Coimbra (UC) torna o diagnóstico da doença mais claro. Os avanços científicos que protagoniza valeram-lhe, inclusive, uma distinção internacional.

Foram utilizadas técnicas de ressonância magnética nuclear (RMN) para «quantificar a produção de lípidos em células cancerígenas, importante para ajudar a tornar o diagnóstico da doença mais claro», lê-se numa nota da UC divulgada esta segunda-feira, e que é citada pela Lusa.

Financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), o estudo focou-se em «duas linhas celulares de cancro de pulmão humano – A549 (muito comum) e H1299». Os investigadores registaram que «a síntese de lípidos é superior, em mais do dobro, à de uma linha celular de pulmão saudável».

Os especialistas envolvidos na pesquisa, coordenada por Rui de Carvalho, «têm fortes indícios» que a Isocitrato Desidrogenase (IDH), «uma enzima do ciclo de Krebs (conjunto de reações químicas que acontecem na vida da célula para a obtenção de energia) é a principal responsável por esta produção de lípidos em excesso nas células cancerígenas», acrescenta a mesma nota.

Os investigadores envolvidos no estudo estão agora, por isso, a «silenciar (retirar do sistema através de manipulação genética) esta enzima, para avaliar a sua preponderância no processo tumorigénico».

A descoberta já valeu ao seu investigador principal, Ludgero Tavares, o prémio «Jovem Investigador» (Young Investigator Award) no Congresso Internacional de Cancro do Pulmão, que decorreu na Malásia, organizado pela Associação Internacional para o Estudo do Cancro (Association for the Study of Lung Cancer), sublinha a UC.

Desenvolvido no âmbito de uma investigação que está em curso no Departamento de Ciências da Vida da UC, este estudo «foi eleito entre as mais de duas centenas de trabalhos apresentados» naquele congresso.

O estudo do metabolismo do cancro do pulmão permite «conhecer melhor os mecanismos da doença, que causa anualmente 1,59 milhões de mortes em todo mundo, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), contribuindo para melhorar o diagnóstico e avançar para o desenvolvimento de novos alvos terapêuticos», explica Ludgero Tavares.