A coordenadora do Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral (NEDVC), Maria Teresa Cardoso, afirmou hoje que a mulher tem «um risco de acidente vascular cerebral (AVC) superior ao do homem», defendendo a implementação de «estratégias preventivas adequadas».

Essas estratégias, segundo a especialista, passam pelo «controlo da pressão arterial, deteção e tratamento dos casos de fibrilhação auricular e promoção de um estilo de vida saudável».

Maria Teresa Cardoso falava a propósito do 15.º Congresso do Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, que decorrerá sexta-feira e sábado, no Porto, e que terá como tema central a prevenção do acidente vascular cerebral (AVC) na mulher.

«O AVC na mulher terá especial destaque devido ao grande impacto negativo na mulher e na sociedade», sublinhou a especialista.

Ao longo da vida, «a mulher tem um risco de AVC superior ao do homem. O predomínio do acidente vascular cerebral nas mulheres é explicável, em parte, pelo envelhecimento da população e pela maior esperança de vida. As mulheres têm mais probabilidade de enviuvar e viverem sós antes do AVC e, assim, de serem institucionalizadas após a doença, tendo uma pior recuperação relativamente aos homens», explicou a especialista.


A coordenadora do NEDVC acrescentou que «a mortalidade por AVC na mulher acima dos 75 anos é também superior à do homem. Em suma, as mulheres são as mais afetadas, particularmente em idades avançadas. É fundamental ter consciência desta realidade e implementar estratégias preventivas adequadas, incidindo especialmente no controlo da pressão arterial, na deteção e tratamento dos casos de fibrilhação auricular e na promoção de um estilo de vida saudável».

Um ponto alto deste congresso será a atribuição do prémio «AVC e Investigação Clínica», que consiste num estágio de três meses numa instituição em Oxford, Inglaterra, e o prémio «AVC e Investigação Básica», um estágio de três meses em Santiago de Compostela, Espanha.

A coordenadora do NEDVC considera que «estes incentivos à investigação são fundamentais para um conhecimento aprofundado das especificidades do AVC na população portuguesa para uma uniformização de atitudes diagnósticas terapêuticas e de prevenção adaptadas à nossa realidade, para que possamos prevenir este flagelo, diagnosticar cada vez com maior rapidez e tratar com a máxima eficácia este problema que continua a matar 35 portugueses por dia».


«A fibrilhação auricular e o seu tratamento com os novos anticoagulantes orais, a craniectomia descompressiva, o controlo da pressão arterial, a dissecção arterial e ateromatose do arco aórtico» serão temas em debate no encontro que reunirá cerca de 500 participantes.

O programa inclui ainda cursos dirigidos a temas específicos como o Tratamento na fase aguda do AVC (trombólise), Treino de Avaliação de Imagem no AVC e Genética no AVC.