Um estudo da Aliança Alzheimer do Mediterrâneo revela discrepâncias a nível do diagnóstico precoce, dos custos económicos da doença e no acesso aos medicamentos nos vários países que integram esta região.

Os resultados preliminares do estudo, coordenado por Federico Palermiti, da Associação de Alzheimer do Mónaco, são apresentados esta terça, em Lisboa, na conferência internacional «Alzheimer e o Mediterrâneo: Trabalhando em parceria para um melhor entendimento».

«O estudo teve como principal objetivo fazer um levantamento das necessidades das pessoas com doença de Alzheimer e os seus cuidadores em vários países do Mediterrâneo», disse à agência Lusa Maria do Rosário Zincke dos Reis, da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer.

Por iniciativa da Associação de Alzheimer do Mónaco foi criada, em 2013, uma aliança das associações de Alzheimer dos vários países do Mediterrâneo (Mónaco, França, Espanha, Egito, Marrocos, etc) por terem aspetos comuns a nível da cultura e «muito em especial no que diz respeito às demências», adiantou Maria do Rosário Zincke dos Reis.

«Existem problemáticas comuns e, ao mesmo tempo, existem grandes disparidades de país para país», disse a responsável, dando como exemplo o facto de apenas o Mónaco e a França terem planos nacionais para as demências, um plano há muito reivindicado pela Alzheimer Portugal.

Para apurar a situação relativamente a esta doença, o estudo abordou vários tópicos: prevalência, políticas públicas, direitos e questões éticas, aspetos socioeconómicos, diagnóstico precoce, formação dos profissionais, investigação, tratamento, cuidados, cultura e cidadania.

Os resultados preliminares do estudo apontam para uma discrepância a nível do diagnóstico precoce e dos custos económicos da doença.

«Verifica-se que estes custos são mais elevados nos países de baixos e médios rendimentos, entre os quais se incluem Portugal», adiantou Maria do Rosário Reis.

Existem também divergências relativamente aos quatro medicamentos específicos disponíveis para a doença de Alzheimer.

Nalguns destes países apenas dois destes medicamentos estão disponíveis, o que «é bem elucidativo das disparidades que ainda existem», sublinhou.

Maria do Rosário Reis sublinhou que há pontos comuns muito importantes, como a cultura, a história, geografia e laços de solidariedade.

«Isso faz com que diversas associações de Alzheimer do Mediterrâneo estejam unidas com o propósito de fazer valer o interesse das pessoas com demência e pressionar os decisores políticos para que sejam criadas medidas concretas de apoio e promoção dos direitos destas pessoas», sustentou.

Sobre a posição que Portugal ocupa neste estudo, a responsável disse que fica a meio da tabela: «Na verdade, não temos quase nenhumas respostas específicas para estas pessoas».

Contudo, ressalvou, «estas pessoas são acompanhadas, não com a qualidade que desejaríamos em termos globais, mas não estamos na base da hierarquia, estamos a meio».

Aliança Alzheimer do Mediterrâneo salienta ainda que «há pouco conhecimento sobre o problema em torno da doença de Alzheimer, que permanece subestimada e pouco documentada, principalmente nos países do Norte da África».

«Isto vais levar, nos próximos anos, a consequências dramáticas tanto sociais, como de saúde e humanas», adverte a aliança.

Esta rede é constituída por associações de Alzheimer, cientistas e profissionais de Saúde da região do Mediterrâneo, que pretende partilhar conhecimento e práticas de troca, mas também fazer propostas a nível local e internacional.