Quarenta a 60 por cento dos alunos já cometeram plágio, uma espécie de «epidemia» que se começa a registar cada vez mais precocemente e que alastrou com o aparecimento da Internet, foi hoje revelado.

Num colóquio sobre a temática na Universidade Católica de Braga, os especialistas convidados sublinharam que o plágio é «um problema muito sério, fraturante e global», que contribui para o baixo nível de desenvolvimento social, económico e político de um país.

Aurora Teixeira, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, alertou que os estabelecimentos de ensino que descuram a problemática do plágio acabam por formar ¿ativos tóxicos¿.

«São pessoas que vão para o mundo do trabalho sem terem as qualificações necessárias para a sua futura vida profissional», referiu, lembrando que depois acontecem casos como prédios que desabam pouco depois de terminada a sua construção.

Disse ainda que as próprias crises económicas podem ter origem em falta de preparação adequada de quem dirige os destinos de um país.

O colóquio hoje realizado na Universidade Católica de Braga inseriu-se no âmbito do projeto ¿Genius¿, que durante dois anos analisou o fenómeno do plágio em sete países europeus.

«Os estudos referem que entre 40 a 60 por cento dos alunos já cometeram plágio», disse Paulo Dias, coordenador nacional daquele projeto, sublinhando que aquela prática tende a começar cada vez mais cedo.

Para este responsável, o plágio é um fenómeno «muito prevalente», que causa «muita preocupação» e que tem vindo a ganhar progressivamente novos adeptos, muito ¿por culpa¿ da Internet e da facilidade de acesso à informação que ela proporciona.

Paulo Dias defendeu que, mais do que detetar ou castigar, o importante é «promover junto dos alunos a mestria, a criatividade, o gosto de aprender, de saber e de fazer melhor».

«Muitas vezes, o aluno apenas tem interesse em tirar uma boa nota, para passar, para conseguir aprovação, e isso é meio caminho andado para o plágio. Mas se lhe for incutido esse gosto pelo saber, certamente que ele substituirá o copy paste pelo estudo, pela investigação a sério», acrescentou.

Segundo Paulo Dias, há ainda um sentimento de impunidade que fomenta o plágio.

«Os alunos sentem que o plágio não é um risco muito elevado, porque na maioria dos casos ele nem sequer é detetado. Quando o é, o castigo fica, muitas vezes, por uma advertência ou pela diminuição pouco significativa da nota», referiu.

Admitiu que uma das formas de dissuadir o plágio pode passar pela adoção de medidas já em vigor nos países anglo-saxónicos, em que o aluno pode ser expulso ou ver o curso anulado.

«Plagiar é roubar, plagiar é mentir, plagiar gera injustiça», disse José Henrique Brito, da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica, deixando no ar a pergunta: «quantos incompetentes ocupam lugares para os quais não estão preparados?», numa citação da Lusa.