O excesso de alunos por turma e a sobreposição de cadeiras estão entre os problemas apontados hoje por uma dezena de alunos da Faculdade de Belas Artes do Porto (FBAUP) que se reuniu à porta da instituição.

«Há turmas que estão com excesso de alunos, há sobreposições nas optativas, que são disciplinas importantes para a especificidade da área que queremos, tem havido problemas na secretaria devido à falta de funcionários e há falta de salas», lamentou Francisco Amorim, aluno do primeiro ano do curso de Artes Plásticas, já depois de, juntamente com outras colegas, se ter reunido com o diretor da instituição para apresentar o problema.

Garantindo que já teve de esperar «entre duas e três horas» na secretaria para resolver um «problema simples como pedir um papel para o IRS», o estudante defende que as queixas relacionadas com a falta de recursos da faculdade se estendem aos docentes.

«Os professores têm-se queixado que têm 45 alunos numa turma, em cadeiras práticas como cerâmica e técnicas de impressão, e que, por isso, não têm possibilidade de atender a todos», sublinhou, aludindo ainda ao facto de faltar, na faculdade, um «atelier de design» que permita aos estudantes trabalhar fora do tempos letivos.

Quanto à sobreposição de cadeiras, Maria Silva, igualmente aluna da instituição, explica o problema. «Há três optativas que têm exatamente o mesmo horário, ou seja, na verdade não há opção. E ainda há uma situação mais grave, em que há optativas sobrepostas a obrigatórias de ramo», justifica.

Confrontado com estas questões, José Paiva, diretor da FBAUP, admitiu tratar-se de um problema «reconhecido pela direção».

«A escola vive uma situação de grandes restrições orçamentais de onde resulta um conjunto de constrangimentos que impedem o exercício pleno da missão da faculdade», defendeu.

Frisando que os «grandes problemas da instituição só podem ser resolvidos num quadro orçamental distinto», lamentou ainda o facto de «não haver espaço suficiente para alojar todos os alunos da escola», o que obriga a haja frequentemente «atividades letivas a funcionar noutros espaços».

Quanto à sobreposição de cadeiras, admite que «o conjunto de optativas que a escola tem é tão grande que não é possível haver uma organização de horários que permita a todos os alunos frequentar todas as cadeiras opcionais», mas assegura que a direção da faculdade tentará atenuar o problema.

«Abrimos um processo em que todos os alunos reportaram os problemas individuais e agora estamos a processar soluções de racionalidade para procurar resolver o problema», diz.

Os protestos dos alunos da FBAUP têm sido recorrentes: em novembro de 2013, pintaram um mural em frente às portas da faculdade, contra a degradação das instalações e a falta de espaço na instituição, em fevereiro de 2014 manifestam-se em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa, pelo mesmo motivo, e no início do corrente ano letivo organizaram um protesto para alertar para os problemas ocorridos no início do ano letivo, causados pela falta de financiamento.