A Cornucópia estreia hoje, no Teatro S. Luiz, em Lisboa, «Íon», uma adaptação de Eurípides, que é a resposta da companhia teatral a um desafio da sala lisboeta para assinalar os 40 anos do 25 de Abril.

No texto de apresentação da peça, Luís Miguel Cintra afirma que esta surge como resposta a um desafio do Teatro Municipal S. Luiz que, desde 2 de abril, realiza uma série de espetáculos celebrativos dos 40 anos da Revolução dos Cravos.

«Nunca o Teatro da Cornucópia representou Eurípides, e o Íon é uma das suas mais belas peças», prossegue Luís Miguel Cintra, que quis construir um espetáculo para «falar dos nossos dias ou do sentimento de crise política do nosso tempo».

Deste modo, escreve o encenador, «o espetáculo passa a ser uma leitura da história mítica de Íon», nascendo «um atrito, tensão trágica ou descarga cómica, entre a pequena humanidade individual das três figuras principais e o seu imenso destino político».

A tradução é de Frederico Lourenço, a encenação de Luís Miguel Cintra, cenografia e figurino de Cristina Reis. Guilherme Gomes, João Grosso, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luís Miguel Cintra e Luísa Cruz são os atores.

Eurípides foi um poeta e dramaturgo grego, nascido em Salamina, no ano 480 antes de Cristo e falecido, provavelmente, em 406, autor de várias tragédias, das quais chegaram dezoito aos dias hoje.

A sala da António Maria Cardoso abriu o ciclo celebrativo da Revolução dos Cravos com a encenação de Jorge Listopad de «A instalação do medo», de Rui Zink, seguindo-se o recital «Portugal do passado e do presente», com o violinista Bruno Monteiro e o pianista João Paulo Santos, e o espetáculo «Liberdade», de Sérgio Godinho.

De 25 a 27 de abril realiza-se o ciclo de debates sobre «Portugal e o seu futuro».

A estreia de Íon tem início hoje, às 21:00. A última representação realiza-se a 4 de maio.