A estratégia que 26 municípios do país, abrangendo a Madeira e os Açores, estão a traçar para enfrentar as mudanças do clima vai estar pronta em 2016, com o objetivo de ser replicada a nível nacional.

"Cada autarquia faz uma estratégia municipal de adaptação às alterações climáticas. Haverá 26 mas serão replicadas pelo país", revelou esta segunda-feira a investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Luísa Schmidt, citada pela Lusa.

A responsável, que falava à margem de um ‘workshop' sobre "Adaptação Local às Alterações Climáticas", realizado em Viana do Castelo, adiantou que, nesta fase, o projeto Climadapt.Local, pretende "envolver as populações locais" na definição daquela estratégia.

"Os contributos que as pessoas derem hoje vão ser depois refletivos na estratégia final que a câmara der", explicou.

Luísa Schmidt sublinhou que aquele "envolvimento" abrange "os agentes locais relevantes e interventivos", desde as empresas, agentes da administração central e regional, organizações não governamentais (ONG), sociedade civil, intervenientes ligados ao sistema de ensino, desde as escolas secundárias, aos politécnicos e universidades.

Já a investigadora da Universidade Nova de Lisboa Silva Seixas disse um dos aspetos "mais focados" pelos técnicos das autarquias prende-se "com a energia, no que diz respeito aos edifícios e ao espaço urbano".

Adiantou que este projeto, iniciado em janeiro, permitiu fazer um "mapeamento, freguesia a freguesia", sobre as vulnerabilidades a extremos climáticos.

Um levantamento que, explicou, vai permitir "a promoção de medidas, quer nos edifícios, quer nos espaços urbanos, de mitigação e de adaptação aos extremos climáticos".

O projeto integra 26 autarquias, uma por cada Comunidade Intermunicipal (CIM) e resulta de um concurso lançado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) com o objetivo de preparar o país para as consequências das alterações climáticas, como inundações, seca, ondas de calor e incêndios florestais.

Viana do Castelo foi o concelho escolhido, no âmbito da CIM do Alto Minho, para integrar a iniciativa.

O presidente da Câmara, José Maria Costa explicou que as alterações climáticas "são um tema caro" ao concelho por "ter algumas particulares relativamente às ameaças de mudanças climáticas a breve prazo".

"Não só porque estamos numa zona com forte erosão da orla costeira mas também porque nos encontramos num espaço territorial em que temos acentuados incêndios florestais, no período verão", explicou o autarca socialista e líder da CIM do Alto Minho.

O projeto está integrado no Programa AdaPT, criado para apoiar o desenvolvimento de projetos de adaptação às alterações climáticas em Portugal. A sua implementação foi orientada pelos termos estabelecidos no Memorando de Entendimento entre Portugal, Noruega, Islândia e Liechtenstein e, como tal, segue o Regulamento do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (EEA Grants) 2009-2014.

O programa foi desenvolvido tendo em conta as necessidades e as prioridades definidas na Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC) e é gerido pela APA, enquanto gestora do Fundo Português de Carbono (FPC), sendo cofinanciado a 85% pelo EEA Grants e a 15% pelo FPC, beneficiando o projeto ClimAdaPT.Local de um apoio de um milhão e meio de euros.