Os prejuízos do mau tempo e da forte ondulação dos últimos dias ainda estão a ser contabilizados pela maioria das autarquias e já ultrapassam alguns milhões de euros devido a estragos nas zonas costeiras.

O Ministério da Economia informou esta segunda-feira que está assegurada a «agilização das linhas de apoio financeiro disponíveis» para os concessionários de apoios de praia responderem aos prejuízos do mau tempo, sem necessidade de criar novos apoios.

No Porto, fonte da autarquia explicou que «os estragos mais significativos» decorrentes do mau tempo no concelho se situam nas praias, que estão sob a alçada da Administração dos Portos do Douro e Leixões«, mas que são valores «não significativos» do ponto de vista do orçamento municipal.

Em Braga e Guimarães, o mau tempo das últimas semanas «não causou estragos de maior», nem «prejuízos assinaláveis», explicaram fontes da proteção civil nos dois concelhos.

Ainda a Norte, o rio Douro galgou o cais fluvial de Peso da Régua e, apesar de estar a descer, ainda não regressou ao leito normal.

Em Mirandela, no distrito de Bragança, quatro famílias continuam sem poder regressar a casa, depois de um deslizamento de terras ter deixado as moradias inabitáveis.

Em Ovar, o presidente da câmara contabilizou três milhões de euros em prejuízos na costa, desde o início do ano, mas acredita que o valor real possa ser "muito superior¿.

Em Espinho, fonte oficial da autarquia situa os prejuízos em cerca de um milhão de euros devido à destruição de vias públicas, passeios, passadiços em madeira, sistemas de rega e iluminação e apoios de praia.

No início de janeiro, no concelho de Paredes, um tornado deixou 120 famílias desalojadas e a Câmara acionou uma verba de 800 mil euros para as situações mais graves.

Devido às sucessivas cheias no rio Lima, o concelho de Ponte de Barca foi dos mais fustigados pelo mau tempo no Alto Minho, admitindo a autarquia prejuízos que «rondam o meio milhão de euros».

Somam-se mais de 200 mil euros em prejuízos em Valença, enquanto em Ponte de Lima, a conta da autarquia ultrapassa os 110 mil euros, e em Viana do Castelo a Câmara transferiu mais de 86 mil euros para as cinco juntas de freguesia mais afetadas.

Em Caminha, a fatura do mau tempo diz respeito a estruturas municipais, como equipamento urbano, e na limpeza de vias. O caso mais grave é, contudo, a destruição da duna dos Caldeirões, onde devem ser gastos mais de 150 mil euros.

No concelho de Leiria, as situações mais preocupantes decorrentes do mau tempo prenderam-se com a praia do Pedrógão e as inundações em Monte Real, informou a câmara, que ainda não quantificou os prejuízos. Na Marinha Grande, os danos mais significativos ocorreram na orla costeira e não há estimativa de danos.

Na zona de Montemor-o-Velho, Mira, Cantanhede e Soure, no distrito de Coimbra, registaram-se cheias, desabamentos de pequenos muros e queda de árvores, sem danos de maior, e em Miranda do Corvo foi encerrada a Casa das Artes.

No concelho de Alcobaça a Câmara está ainda a fazer o levantamento dos prejuízos que o presidente, Paulo Inácio, diz serem «elevadíssimos» por as fortes chuvas terem destruído duas pontes.

O distrito de Santarém houve avarias nos sistemas de abastecimento de água e de saneamento e que devem traduzir «valores significativos».

Na região Oeste de Lisboa, as cheias na semana passada destruíram 30% de culturas hortícolas, sobretudo nos concelhos da Lourinhã e Torres Vedras, mas a Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste não conseguiu avaliar o montante. Houve ainda registos de outros estragos e quanto à eletricidade, o mau tempo causou prejuízos de 100 mil euros, adiantou fonte da EDP à Lusa.

A Câmara de Sintra contabilizou «prejuízos na ordem dos 100 mil euros» e no município da Amadora, a assessoria de imprensa da autarquia informou que se registaram quase 200 ocorrências, devido, sobretudo, a quedas de árvores e de estruturas.