A Infraestruturas de Portugal afirmou hoje que a “readequação” dos serviços na Autoestrada 24 (A24) permite “poupanças significativas” para o Estado, de 300 mil euros por ano só em iluminação, e garantiu uma monitorização independente da via.

O presidente da Câmara de Vila Real, o socialista Rui Santos, convocou para hoje uma conferência de imprensa para denunciar uma diminuição da segurança e consequente aumento do perigo na A24, que liga Viseu a Chaves.

O autarca classificou as medidas, que estão a ser implementadas pela concessionária Operscut e “acordadas” com o Governo, “como inaceitáveis” destacou os cortes a nível dos postos SOS, na iluminação dos nós de acesso e nos painéis de informação, bem como a redução “para metade” dos limpa-neves, de oito para quatro.

Medidas que, segundo Rui Santos, “são consequência da renegociação do contrato de concessão da A24 entre o Estado e a operadora desta via”.

Contactada pela agência Lusa, a Infraestruturas de Portugal salientou que esta “estratégia permite reduções significativas, cujas poupanças são todas capturadas pelo Estado, com redução de encargos para o contribuinte, no caso concreto só em iluminação a IP poupa cerca de 300 mil euros por ano”.

A empresa explicou que, seguindo critérios baseados no volume de tráfego e localização dos nós junto a meios urbanos ou em zonas de confluência com outras vias de alta prestação, “mantém-se apenas ligada a iluminação pública nos nós de interligação da A24 com a A7, com a A4 e com a A25”.

“Da experiência nas diversas autoestradas existentes em Portugal com nós de ligação sem iluminação, não se têm registado quaisquer implicações em termos de sinistralidade acrescida, o que permitiu adotar esta política para as autoestradas de caráter rural, com tráfego muito reduzido, como é o caso da A24”, salientou.

A IP diz que esta medida é “usada genericamente por todos os países com o intuito de redução de dependência energética e redução das emissões de CO2” e “tem como base a leitura de que em nós de baixo tráfego a iluminação não introduz mais-valia na circulação e segurança, como provam aliás estatísticas nacionais, em que na mesma autoestrada nós iluminados e nós não iluminados tem resultados de segurança iguais”.

Relativamente aos limpa-neves, a Infraestruturas de Portugal referiu que “os meios existentes eram claramente desproporcionados estando estes veículos parados em cerca de 80% do ano”.

"Continuarão a existir, ainda assim quatro viaturas na prestação do serviço de prevenção de gelo e limpeza de neve. São veículos pesados adaptados aos quais são acoplados os equipamentos necessários (pás e depósitos espalhadores de sal) para a limpeza da via", sublinhou

Esta opção permite, de acordo com a empresa, a utilização destas viaturas noutras funções e ao longo de todo o ano.

A IP disse que os postos SOS se mantêm ativos ao longo de toda a concessão, tendo ocorrido apenas a alteração do centro de atendimento que passa agora estar a cargo do Centro Nacional de Controlo de Tráfego.

Quanto às carrinhas de apoio e patrulhamento, a empresa explicou que estas realizam os percursos de vigilância da autoestrada de quatro horas em quatro horas em período diurno, sendo que em horário noturno (entre as 21:00 e as 07:00) este auxílio é prestado mediante solicitação.

A Infraestruturas de Portugal anunciou ainda que foi introduzido um “sistema independente”, tanto da concessionária como do Estado, “de monitorização das condições de conservação e qualidade da via, nos diversos parâmetros desde o pavimento, passando pelos equipamentos de segurança, assim como das obras de arte”.

Este sistema garantirá, de acordo com a IP, “que as operações de manutenção e requalificação são feitos nos calendários adequados e não só em funções do julgamento e análise dos parceiros privados”.