Testes comportamentais para determinar a influência de drogas nos condutores e a pouca atenção que este assunto desperta nas pessoas, por oposição à condução sob efeito do álcool, foram alguns do temas debatidos num encontro internacional realizado hoje em Lisboa.

Um dos investigadores presentes indicou que o pico da influência da canábis é atingido poucos minutos depois do consumo mas que os efeitos mais nocivos para a condução são atingidos cerca de 90 minutos depois. 

O especialista Mário Dias, do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, disse à agência Lusa à margem do terceiro simpósio internacional sobre condução sob o efeito de drogas que "tem que haver perceção na população e nos condutores" dos riscos para a condução.

"Toda a gente tem ideia de que conduzir sob o efeito do álcool traz problemas, mas como não se fala muito sobre as drogas, se calhar as pessoas não têm a mesma perceção", afirmou.

Mário Dias indicou que há que passar a informação da perigosidade das drogas na condução, indicando que se existem no sangue substâncias psicoativas, "têm potencialmente efeito sobre a capacidade do indivíduo".

Em Portugal, só um teste sanguíneo tem valor legal para demonstrar a presença de drogas, que, além de ser contraordenação, passa sempre para esfera penal, num regime de "tolerância zero".

Com vários enquadramentos legais em países diferentes, há outro problema que se avoluma quando se vai para a fronteira entre o uso recreativo de canábis e os novos medicamentos que usam a substância como princípio ativo.

Richard Compton, diretor do gabinete de pesquisa comportamental do departamento dos Transportes norte-americano, afirmou que estão em fase de investigação testes comportamentais que poderão um dia ser usados pelas autoridades quando abordam condutores em controlos rodoviários.

O responsável destacou que é difícil criar testes específicos para despistar se um condutor está sob a influência de drogas e para avaliar se tem de facto as suas capacidades diminuídas.

Entre os aspetos que podem ser analisados estão os processos inibitórios de decisão, que podem levar a demorar mais tempo a arrancar quando um semáforo fica verde ou até processos emocionais como o reconhecimento de emoções em expressões faciais, com que as pessoas sob o efeito de uma droga como a canábis têm dificuldades.

Richard Compton indicou que o pico da influência da canábis é atingido poucos minutos depois do consumo mas que os efeitos mais nocivos para a condução são atingidos cerca de 90 minutos depois, quando os níveis no sangue já são muito inferiores.

Além disso, destacou, o princípio ativo da canábis, o THC, deposita-se nos tecidos adiposos do corpo e pode continuar a ser libertado para a corrente sanguínea quando uma pessoa não consome há várias semanas.