Em 1855, a diligência que fazia a carreira regular entre Lisboa e o Porto, demorava 34 horas de viagem. O País, rural, mal tinha condições para as máquinas que começavam a cruzar as Províncias de lés-a-lés.

Mas o progresso era imparável. Entre 1850 e 1910 construíram-se cerca de 15 mil quilómetros de estradas, uns 250 quilómetros por ano. Em 1925 Portugal já tinha 17.500 quilómetros de estradas para uns 9500 automóveis.

Duarte Pacheco, que estreou o primeiro Ministério das Obras Públicas e Comunicações em 1932, decidiu, então, que era preciso reconstruir "imediatamente" 4 mil quilómetros de estradas.

Entre esses muitos quilómetros de estrada - em cima do que era a antiga *Estrada Real*, precisamente - estava a Nacional 2, a "espinha dorsal" do Portugal automóvel, ponto de honra do Estado Novo. Era mesmo um risco a atravessar o País de alto a baixo.

De Norte a Sul, alargavam-se as vias, rasgavam-se montanhas, abriam-se túneis, levantavam-se pontes, alindavam-se as bermas. Milhares de pessoas trabalhavam nas estradas nacionais.

Parece que foi há muito tempo, mas, na verdade, ainda há pouco tinha ficado por lei que em Portugal se conduzia pela direita. Foi em 1928.

A Estrada Nacional 2 começa em Chaves – é o Quilómetro zero – e formalmente acaba em Faro, ao Quilómetro 738.

E é do “país real” que vai a eleições - pela “estrada real” -  que os repórteres da TVI Paulo Bastos, Victor Moura-Pinto, Miguel Bretiano e João Paulo Delgado vão partir à descoberta.

*Imagens cortesia do Automóvel Club de Portugal (ACP) e restosdecoleccao.blogspot.pt