A Federação Nacional dos Sindicatos de Polícia (Fenpol) pediu esta terça-feira  “uma célere intervenção” do primeiro-ministro, junto do Ministério da Administração Interna, devido à forma como estão a decorrer as negociações do estatuto com os sindicatos da PSP.

O pedido de intervenção a Pedro Passos Coelho foi feito pela Fenpol, num ofício entregue hoje à tarde na residência oficial do primeiro-ministro, após esta estrutura, que congrega dois sindicatos da PSP, se ter reunido com a ministra Anabela Rodrigues.

O presidente da Fenpol, Pedro Magrinho, disse à agência Lusa que saíram da reunião “desagradados” com a ministra, acusando Anabela Rodrigues de falhar no processo negocial e de não aceitar que o estatuto profissional contemple matérias importantes para os polícias, como férias, horários de trabalho e reconhecimento da condição policial e de profissão de desgaste rápido.

No ofício enviado ao primeiro-ministro, a que Lusa teve acesso, a Fenpol refere que há um “retrocesso de todo um trabalho feito ao longo de meses em torno de um futuro estatuto profissional, liderado, na altura, por Miguel Macedo”.

“O documento apresentado pela ministra Anabela Rodrigues, quando comparado com o anterior projeto, não passa de um mero rascunho”, lê-se no documento, que sublinha ficar “muito aquém das expectativas dos polícias.

A Fenpol realça que as relações entre o Ministério da Administração Interna (MAI) e os sindicatos estão “a agudizar-se”, considerando que o atual gabinete da ministra “é profundamente desconhecedor da especificidade das matérias em discussão”, além de ter uma “diminuta capacidade negocial e de celeridade da decisão”.

A ministra está a realizar, desde a semana passada, a segunda ronda de reuniões com as estruturas sindicais da Polícia de Segurança Pública, no âmbito do processo de alteração do estatuto profissional.

Em maio também o Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP) pediu a intervenção urgente do primeiro-ministro na resolução dos problemas da PSP, considerando que aquela polícia está “praticamente paralisada”, devido à “quase total inércia” da tutela.