A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) decidiu hoje cancelar as ações de protesto durante a campanha eleitoral das legislativas, mas manter a manifestação para 02 de outubro, informou à Lusa o presidente, César Nogueira.
 

"Não queremos ser conotados com partido algum", justificou, após uma reunião da direção, acrescentando que a estrutura decidiu, no entanto, manter a manifestação para o último dia de campanha eleitoral, para "demonstrar o descontentamento" dos militares da GNR perante a falta de aprovação do novo estatuto profissional da corporação.


A manifestação será em Lisboa, em local a designar, adiantou.

César Nogueira disse que se mantêm as ações de pedagogia e prevenção em curso, que, na prática, consistem em passar menos multas aos condutores.

Tanto a manifestação como as ações de protesto na campanha eleitoral, inclusivamente em sítios próximos dos eventos políticos onde esteja a coligação que sustenta o Governo (PSD/CDS-PP), tinham sido anunciadas, na segunda-feira, por quatro associações sindicais da GNR, incluindo a APG/GNR.

Uma das ações que estava prevista era no domingo, em Castelo de Vide, no encerramento da Universidade de verão do PSD.

O Governo aprovou na quinta-feira, em Conselho de Ministros, o novo estatuto profissional da PSP, tendo invocado ausência de condições na atual legislatura para concluir e aprovar o novo estatuto da GNR.

Alegou também a necessidade de as suas disposições terem que se adequar ao estatuto das Forças Armadas, recentemente revisto, uma vez que a GNR é uma força de segurança militarizada.

Uma outra estrutura sindical, a Associação Nacional de Guardas (ANAG), que se reúne no sábado, em Lisboa, também resolveu desmarcar-se hoje do protesto de Castelo de Vide.

Quanto à participação ou não em ações durante a campanha eleitoral e na manifestação de 02 de outubro, o presidente da ANAG, Virgílio Ministro, remeteu uma decisão definitiva para sábado, muito embora, admitiu à Lusa, a posição possa ser semelhante à da APG/GNR.

Para a próxima semana, em dia a definir, a APG/GNR, a ANAG e mais duas outras estruturas sindicais - Associação Nacional de Oficiais da Guarda e a Associação Socioprofissional Independente da Guarda - deverão voltar a reunir-se para concertarem novas posições.

O presidente da APG/GNR, César Nogueira, assinalou que, apesar de o novo estatuto não ter sido aprovado, o horário de trabalho de referência da corporação, uma das bandeiras de luta dos militares, está previsto no atual estatuto desde 2010, faltando regulamentá-lo através de uma portaria conjunta dos ministérios da Administração Interna e das Finanças.