Os acordos entre o Estado português e a Igreja Católica são para cumprir e disso não abdica o cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente.

No final da cerimónia de abertura do ano judicial, confrontado pelos jornalistas sobre a aplicação do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) a edifícios e terrenos da Igreja, o cardeal patriarca disse acreditar que a questão será resolvida a contento

Com boa vontade", foi a expressão utilizada por D. Manuel Clemente.

Terça-feira, a Igreja Católica tinha pedido para ser tratada pelo Estado português "em conformidade com a Lei e o Direito", respeitando as normas da Concordata, sem "qualquer privilégio" em matéria fiscal.

A posição da Igreja foi formulada no final de um encontro que reuniu, em Fátima, os vigários-gerais e ecónomos de várias dioceses, depois de várias paróquias terem sido notificadas para pagar Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), do qual entendem estarem isentas ao abrigo da Concordata assinada em 2004 entre Portugal e a Santa Sé.

Em apoio da posição da Igreja, a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, afirmou que se o Governo desrespeitar as isenções de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) previstas na lei, deverá ser ponderado todo o regime. O que inclui os benefícios existentes para partidos e sindicatos.

Entre os partidos de esquerda, o PCP veio a terreiro defender a manutenção das isenções existentes, lembrando que, ainda assim, pagou 29 mil euros de IMI pelos seus imóveis tributados.