Os países devem temer a "geopolítica do despespero", segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SINSEF), que defendeu esta sexta-feira a criação de um mecanismo de comunicação de risco, entre órgãos de comunicação social e forças policiais.

Os países deveriam recear a “geopolítica do desespero” e as pessoas já nada têm a perder, porque isso “é que pode começar a ser preocupante”. “Nós termos feito clusters de países com uma esperança de vida, em termos de dignidade, tão baixa, em países com uma demografia de tal forma jovem, que não é possível que nos próximos tempos se mantenham confinados a esses clusters. Eles vão reagir”


Na véspera da conferência sobre segurança interna, subordinada ao tema “Segurança e Liberdade: Duas faces da mesma moeda”, Manuela Niza Ribeiro sublinhou que esta iniciativa surge para refletir sobre de que forma os dois conceitos podem e devem ser salvaguardados.

“É um facto que para eu me sentir seguro, tenho que abdicar de alguma da minha liberdade e é para refletirmos sobre como podemos construir um Estado seguro sem cairmos num Estado securitário que decidimos promover a conferência”, assinalou.


À Lusa, a responsável disse ainda que a segurança interna tem de ser vista tendo em conta a realidade de cada país, mas também a segurança europeia, apontando para os problemas específicos que daí advêm.

Nesse sentido, destacou o caso do autoproclamado Estado Islâmico, que classificou como a “maior agência de comunicação de que há memória”, e que usa as redes sociais para conseguir chegar diretamente aos cidadãos.

“É importante criar plataformas entre os meios de comunicação social, ditos oficiais, e as forças de segurança por forma a criar um mecanismo de comunicação de risco que seja credível, eficaz e que proteja os cidadãos", defendeu. 

Manuela Niza Ribeiro, que é também membro do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), entende é possível criar esta rede desde que as forças de segurança “tenham a capacidade de comunicar e tenham uma ligação direta com os meios de comunicação social”.

Já em relação aos órgãos de comunicação social, “têm que ter o respeito necessário para ter como objetivo a segurança nacional e a segurança do individuo”.

Manuela Niza Ribeiro frisou que este é apenas um dos aspetos relativos à segurança dos cidadãos e lembrou que nunca como agora, os cidadãos são cidadãos do mundo, ao mesmo tempo que têm receio do próprio mundo.

Por outro lado, relativamente aos fluxos migratórios e ao cada vez maior número de migrantes que tentam chegar à Europa, negou que isso possa, de alguma forma, por em causa a segurança dos países que acolhem estas pessoas, lembrando que os últimos atentados terroristas em solo europeu foram levados a cabo por elementos nacionais europeus e não por pessoas vindas de fora.

“Em vez de reagirmos, podemos antecipar cenários de perigo, cenários de risco e assim controlarmos as situações a montante e não reativamente”, defendeu.

A conferência decorre durante o dia de amanhã, no Instituto Superior de Gestão, em Lisboa, e é uma organização conjunta do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras com a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia/PSP , o Sindicato dos Guardas Prisionais e a Associação de Auditores de Defesa Nacional.