No dia em que ficou conhecida uma notícia sobre novas ameaças do autoproclamado Estado Islâmico (EI) a território português e húngaro, o antigo coordenador da segurança interna General Leonel de Carvalho considera que não existe ameaça iminente e ainda sublinhou que o recrutamento em Portugal não seria fácil dada a forte liderança muçulmana no país.

O General Leonel de Carvalho esteve, esta quinta-feira, no Jornal das 8 para analisar a evolução das investigações na Bélgica sobre um dos autores dos atentados que usou um nome português para alugar o apartamento onde os explosivos foram preparados.

Utilizar documentos falsos é norma de quem quer passar despercebido, escolher um nome português em Bruxelas também não é má ideia atendendo que há quase 50 mil portugueses na Bélgica”, disse.

Por outro lado, o antigo coordenador da segurança interna afirmou que, “em princípio, nada liga Portugal às redes jhiadistas”, apesar do nome do país aparecer em notícias ameaçadoras.

Não creio que haja indícios que aponte Portugal como alvo prioritário”, disse e na sua opinião a menção a Portugal como à Hungria aconteceu de forma totalmente aleatória porque “se pensarem em fazer um atentado não iriam anunciar previamente”.

Contudo, há milhares de portugueses em listagens onde surgem europeus que se juntaram à causa extremista do EI, mas as ações de recrutamento não têm, até onde é conhecido, acontecido em território nacional.

O recrutamento em Portugal não me parece fácil. Felizmente a comunidade muçulmana em Portugal tem uma liderança que não facilita a existência de jhiadistas dentro dessa comunidade”, frisou o General.

A TVI conseguiu falar com um dos vizinhos dos terroristas de Bruxelas. Foi num apartamento do bairro de Schaerbeek, em Bruxelas, que os irmãos El Bakraoui prepararam o cocktail mortífero que vitimou mais de 30 pessoas e feriu mais de 300 na manhã de dia 22 de março.

O manuseamento desses produtos, apesar de fácil, não é aconselhável. O inspetor Armando Ramos, da Polícia Judiciária, que também esteve no Jornal das 8, alertou para o perigo da internet e da falta de informação sobre o método de operação da rede terrorista.

"As substâncias podem ser compradas facilmente e em separado” até porque muitas vezes há recurso a materiais comuns como pregos. Mas o maior problema não é perceber como são feitas as substancias mas conseguir confirmar a veracidade das informações difundidas pelo EI que usa muitas vezes a Deep Web (internet obscura) para dissimular mensagens. É possível rastrear essas mesmas informações mas “demora tempo”.