A Câmara do Porto quer a empresa municipal Porto Lazer a gerir o parque de estacionamento Silo-Auto para disciplinar o estacionamento na Baixa, nomeadamente fechando algumas ruas ao trânsito nas noites de fim de semana.

Fonte da autarquia adiantou hoje à Lusa que «o dossiê não está fechado» mas estão em causa «ruas importantes» e o encerramento de algumas pode «avançar» antes de estar garantido o serviço de 24 horas nos transportes públicos (metro e Sociedade de Transportes Públicos ¿ STCP).

Considerando que, nesta fase, o equipamento com 850 lugares de estacionamento pode ser «um instrumento útil na regulação do estacionamento na Baixa», a Câmara não exclui que, no futuro, «volte a fazer sentido» concessioná-lo, adiantou a mesma fonte.

No início de 2012, a autarquia presidida pelo social-democrata Rui Rio tentou, sem sucesso, vender o edifício em hasta pública por pelo menos 10 milhões de euros, e o executivo atual, liderado pelo independente Rui Moreira, defende esta nova utilização também como forma de «valorizar um ativo que não se conseguiu colocar no mercado».

Para já, a concretização dos planos de Rui Moreira passa por alterar os estatutos da Porto Lazer para que esta assuma a responsabilidade pelo Silo Auto, numa proposta que vai ser apresentada ao executivo na reunião camarária pública de terça-feira e na qual se recorda que a concessão do equipamento termina «a 30 de junho».

«A instalação "Silo Auto" tem potencialidade na dinâmica de animação da cidade, especialmente pela sua localização na Baixa [...] sendo esta uma zona estratégica em termos de desenvolvimento do comércio e turismo do Porto», observa o autarca, no documento.

A empresa entende «ter condições para dinamizar/rentabilizar a instalação e colocá-la ao serviço da cidade, dos seus habitantes, comerciantes e turistas que a visitam», acrescenta Rui Moreira na proposta.

«Para já não se prevê a concessão. A autarquia quer usar o Silo Auto para disciplinar e fazer um combate sério ao estacionamento indevido na Baixa», justificou fonte camarária.

«Pode ser que volte a fazer sentido concessionar», admitiu.

A intenção, por agora, é servir os interesses dos frequentadores da noite portuense na zona dos Clérigos, onde se concentram inúmeros espaços de diversão noturna, mas também «acautelar os interesses dos moradores», já que estes, muitas vezes, se veem impedidos de sair de casa devido ao estacionamento anárquico, acrescentou.

«O encerramento de algumas ruas nas noites de fim de semana pode avançar antes dos transportes públicos 24 horas por dia. Quanto a outras artérias, a Câmara ainda está a estudar com a Metro do Porto e a STCP qual a melhor forma de repetir o percurso da movida, nomeadamente no circuito Asprela/Baixa», indicou fonte oficial da autarquia.

A Metro do Porto e a STCP anunciaram a 29 de abril estar «totalmente abertas e disponíveis» para estudar o alargamento de horários nas noites de fim de semana defendido por Rui Moreira.

Para além de regular o estacionamento e o trânsito, o Silo Auto pode «também ser utilizado como instrumento de lazer», nomeadamente como local de intervenção de arte pública, acrescentou.

Com mais de 30 mil metros quadrados de construção e cerca de 850 lugares de estacionamento, o edifício foi concessionado pela Câmara em 1964.

Analisada hipótese de concessionar 4 mil lugares de estacionamento

A Câmara do Porto está a estudar a possibilidade de concessionar os cerca de quatro mil lugares de estacionamento na via pública, mas admite poder concluir não avançar com a privatização, disse hoje à Lusa fonte da autarquia.

«A Câmara tem um problema: a incapacidade de fiscalização. O pagamento da ocupação (dos lugares pagos de aparcamento na via pública) é reduzido - anda nos 10%. A autarquia tem poucos meios e é complicado, neste quadro, contratar mais», justifica fonte oficial da Câmara do Porto.