O presidente da Associação dos Professores Contratados considerou, esta sexta-feira, o Guia da Prova de acesso à carreira dos docentes «redutor» e «desfasado do que é ser professor no século XXI» e das necessidades do sistema educativo.

Segundo o Guia da Prova, os professores que na construção do texto da Prova de Avaliação tenham mais de dez erros de ortografia, de pontuação ou de morfologia serão classificados com zero valores nesse item.

Para César Israel Paulo, o ministro da Educação «surpreendeu de novo» com o guia da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades, que será composta por 32 itens de escolha múltipla e um «item de construção», no qual é pedido aos docentes que escrevam um texto segundo o Acordo Ortográfico com um número de palavras compreendido entre 250 e 350.

«Nuno Crato tinha surpreendido ao decidir aplicar esta prova verdadeiramente absurda, sem sentido e discriminatória e agora surpreende de novo apresentando um modelo absolutamente redutor e desfasado do que é ser professor no século XXI e do que são as necessidades do sistema público educativo português», disse à agência Lusa o presidente da associação.

Para o César Israel Paulo, este guia é «mais um comprovativo do retrocesso educacional» que a equipa do Ministério da Educação está a aplicar ao ensino público português e que «se vai pagar muito caro nas gerações futuras».

«Os professores de português terão certamente de continuar a luta, pois está agora demonstrado e verdadeiramente comprovado que esta prova não é mais do que uma rasteira que vai ser aplicada aos professores contratados de português no sentido de os afastar da profissão», sublinhou.

César Israel Paulo adiantou que o guião coloca toda a questão da qualidade em «pequenos pormenores de Matemática e Língua Portuguesa» que podem afastar um docente de uma área específica, «importante para o desenvolvimento do país», após 14 ou 20 anos de profissão por «colocar mal algumas vírgulas».

«Se esta prova fosse aplicada a outras classes, como médicos e deputados, onde muitas das vezes estas vírgulas em decretos-lei fazem a diferença, neste momento teríamos muito poucos médicos no sistema público e teríamos muito menos deputados na Assembleia da República», elucidou.

O responsável associativo considerou ainda que esta prova «não vai abonar em nada a qualidade do sistema educativo português».

As perguntas de escolha múltipla vão valer 80% da prova, enquanto o «item de construção» corresponderá a 20% do total, segundo informação disponibilizada no site do Instituto de Avaliação Educativa.

«São classificadas com zero pontos as respostas que não atinjam o nível de desempenho mais baixo ou quando se verifique uma das seguintes condições: afastamento integral do tema, mais de seis erros de sintaxe, mais de dez erros inequívocos de pontuação, mais de dez erros de ortografia ou de morfologia», lê-se no Guia da Prova.

Os erros de acentuação e de translineação, assim como o uso indevido de letra minúscula ou de letra maiúscula inicial também são considerados erros de ortografia.

A prova destinada aos docentes sem vínculo à função pública está marcada para o dia 18 de dezembro.